A HISTÓRIA DA VIDA: MEMÓRIA LACUNAR

A memória é seletiva, rouba-nos com o tempo tão lindas histórias, principalmente os detalhes que emolduraram a nossa infância e fatos passados. Gostaria de lembrar-se da vida pretérita como se tivesse sido ontem, saborear o caminho percorrido... Talvez assim não cometesse os mesmos erros... Talvez não perdesse oportunidades... Talvez me tornasse uma pessoa preparada para o futuro!
Irônico é saber que lembrar é esquecer e vice-versa. Somos tão frágeis que não suportamos o acúmulo, a amnésia tem sido uma constante em nossas faculdades mentais. Esquecer pode ser importante para que recontemos histórias, refaçamos sonhos, remodelemos a nossa vida, com inovação e criatividade.
Viver é tão precioso que a nossa memória tende a escondê-lo, protegê-lo. Às vezes fica tão submerso, tão bem guardado que se perde pela força do tempo. Talvez se a memória fosse imanente e contínua a subjetividade e a literatura teriam uma fonte rasa.
A vantagem da memória humana é fazer com que muitas situações se tornem inéditas, por força do esquecimento de atos vividos. “A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez” (Nietzsche).
A memória ensina, indica o caminho daquilo que realmente faz sentido e tem valor em nossas vidas. Tente lembrar? As lembranças, mesmo aquelas mais longínquas nos dizem que o amor e o carinho dos familiares e amigos são coisas eternas até para a memória. Até mesmo acontecimentos simples e supérfluos, desde que vividos com intensidade e prazer, ficam protegidos em nossas reminiscências.
Por mais que a história da vida, das civilizações seja descrita, registrada e divulgada, sempre haverá lacunas e recônditos menosprezados da história. Esses desvãos são ainda mais comuns quando se tratam de momentos ligados ao reconhecimento, ao poder, ao domínio, a vaidade, a supremacia, a ascensão.