BRASÍLIA: DO EROS AO EGO

O sonho um novo país nasceu com a construção de Brasília. Uma nação mais autônoma, que acompanhasse o desenvolvimento social e tecnológico mundial, que ampliasse sua capacidade produtiva, saindo da penumbra arcaica e provinciana. Não era utopia!
O Brasil é, atualmente, uma das grandes potências mundiais, a 6ª maior economia do mundo, com previsão de logo alcançar uma aposição acima. Muita riqueza, mas também muita pobreza. Essa disparidade tem diminuído (a passos curtos, é verdade) e com o fortalecimento da educação, da economia nacional e da infraestrutura a tendência é a ampliação da cidadania e da dignidade humana.
Brasília, diferentemente da colônia Brasil, nasceu sob o desejo do Eros, de um amor idealista, de uma pátria mãe desenvolvimentista, com mais oportunidades. Juscelino, Lúcio Costa e Niemeyer planejaram e esculpiram a imagem do futuro, pródigo, grandioso, organizado, majestoso. O sonho dos brasileiros de um lugar para todos!
Mais veio o Ego, impulsivo, montado sob a face do poder, muitas vezes infame, opressivo e opulento da classe política, sedenta pela satisfação de seus interesses mesquinhos, acabou por manchar a sacralidade arquitetônica brasiliense. Sem metáforas, diversos políticos continuam a vaguear na contramão da visão e da missão instigado pelo projeto cravado no centro de nosso território. Se diferente fosse, estaríamos em outro patamar de excelência, com maior justiça social.
Nas mãos espalmadas da Catedral a artrite e a rigidez sob a fronte dos impudicos, sob a face vendada da Justiça que pese aos degenerados o peso da culpa, da vergonha, da insensatez, do descrédito, do menosprezo, da infelicidade. Impera et iustitiam hominum! Ita fiat!