CASAL EM DIÁRIO DE FESTA: ZERO HORA

A vida a dois tem tido altos e baixos entre Carlos Antunes e Anna Francielli, mas quando se tratava de festa não havia muito o que se comemorar. Parecia que uma força estranha tomava de conta daquelas mentes levando-os a um confronto inóspito e intrigante.
O clima ficava pesado, havia um desejo de luta, de embate! Antes mesmo de sair de casa em direção ao evento festivo a tensão pairava no ar. Olhos compenetrados, lábios secos, mínimas palavras! Afinal, a festa não é motivo de alegria?
Para o casal o efeito era contrário! Não havia elogios, não tinha conexão, não sublimava o encanto de outrora! As pequenas queixas surgiam como pequenos insetos saindo de um formigueiro. – Você demora demais, a roupa não combina, ainda tá cedo...! A autoestima estava estremecida.
Depois de cruzar a porta as palavras fugiram e o carinho se escondeu! A dança era um encontro incômodo: – Carlos, não quero dançar aqui, quero ali! – Ora, mas aqui é muito mais espaçoso! – Você não tá dançando direito...! Até lutadores de sumô se entendiam melhor. E o ciúme logo se manifestava como assombração em noite sombria: - Por que você fica olhando para as mulheres que passam? Você tá mudado, sempre distante! – Ora, então tenho que furar os olhos, pois por toda a parte tem mulher à bessa! Agora as palavras pulavam como pipocas.
Com isso, o clima de tranquilidade já fora para o espaço! E ao ver as outras pessoas dançando, sorrindo, pulando, na maior sintonia, parecia que o casal se encontrava em outro planeta: - Vamos embora! – Sugere o marido. – Não quero ir, a festa apenas começou! – replicou a mulher.
E assim, foram horas sentados, num banco frio e triste de praça, um ao lado do outro, intransigentes, intocáveis! Isso a zero hora, no instante de união e/ou divisão de dois dias. Mau presságio! O roteiro poderia ser outro se não houvesse tanta incompreensão. É preciso reflexão e mudança de atitude! Infelizmente, são coisas que acontecem!