LUÍS GOMES: UM ANO DE HUMILHAÇÃO

Dia 29 de outubro a cidade de Luís Gomes/RN completará um ano sem água nas torneiras, algo inédito e trágico para a população, principalmente em termos econômicos. Esse colapso estava anunciado há anos, mas como a prática do imediatismo, do subalternismo, do comodismo impera sobre a maioria das autoridades políticas deste país, sendo inclusive prática macabra para angariar votos e perpetuar-se no poder, estamos em pleno século XXI, século da tecnologia e da informação, vivendo tamanha calamidade.
Aliás, não serão apenas um ano sem água nas torneiras se considerar tantas outras ocasiões em que a cidade foi impactada com os efeitos climáticos da seca. O paliativo sempre foi a solução mais “acertada”. Por quê? Lógico, assim havia mais argumentos de comunhão no palanque, agindo sobre a inocência e fragilidade do povo sertanejo.
Há quem pense em fazer um bolo para comemorar tal data que se aproxima! Duvida? O negócio da seca gera riqueza para investidores do setor, gera gastos públicos exorbitantes, provisórios e que pela situação de baixa imunidade fiscalizatória, devido ao fato de calamidade ou emergência, muita grana vai pelo ralo do desvio e da corrupção.
Pelas redes sociais existem aqueles que ainda dizem: “O nordestino, antes de tudo, e um forte”! Mais ‘forte’ é quem tira vantagem das dificuldades do nordestino. Até quando sinônimo de forte é quem passa a vida sem muitas perspectivas! Esse posicionamento é alienante!
Sem meias palavras, o nordestino não tem sido um forte. Continua a eleger, quase sempre, os mesmos políticos irresponsáveis e corresponsáveis pela situação de, em alguns casos, penúria, noutros de sérias dificuldades e noutros de insalubridade por causa da seca. Insalubridade porque a água que alimenta quando impura, enche os hospitais de doentes.
O nordestino, infelizmente, não tem sido um forte. Há décadas sofre com esse problema e sua voz não tem eco, poucos escutam! Na verdade, agora precisa ser forte (fisicamente) para aguentar a rotina de balde na cabeça. Tomara que a coluna seja resistente (parece irônico). Vejo que o ditado popular de que "quem espera sempre alcança" está demasiadamente ultrapassado! O nordestino tem sido forte na sua resignação, na luta para sobreviver. Aos nordestinos interioranos sombram as migalhas. Se a situação ocorresse numa região importante do estado, que mexesse no bolso de empresários e, consequentemente, houvesse uma pressão altiva, aí a solução seria rápida, rapidinha...