UMA PRECIOSA DELAÇÃO

Em leitura ao texto de Nelson Motta, “O plano perfeito”, do Estadão, me veio uma questão perturbadora: O esquema do mensalão, como sabemos, tinha uma dimensão e uma estrutura enormes e que envolvia uma verdadeira quadrilha organizada, só descoberta graças ao delator Roberto Jefferson, o que mostra o quanto os sistemas fiscalizatórios e reguladores são frágeis?
A pergunta é naturalmente cabível, tendo em vista que o esquema de corrupção e de privilégios só fora descoberta depois de alguns anos depois. E como Motta disse, caso Jefferson não “abrisse o jogo”, será que o esquema teria sido desmantelado? Ainda bem que sim, pois as consequências seriam ainda mais desastrosas.
Penso que quando envolve grandes personalidades e lideranças nacionais e/ou regionais existe, para tais, uma suposta credibilidade pela lisura e pela assertiva dos atos. Porém, tal argumento não é supostamente válido mediante aos inúmeros casos de desonestidade e de posições indecorosas dos representantes da sociedade, intensificadas nos últimos anos. O que pode existir é uma ‘leve’ complacência, um amaneiramento, um cordialismo para com as chamadas ‘grandes figuras’ do cenário político.
É tanta podridão que até as ‘frutas sadias’ se maculam. Existem as (pouquíssi-ssi-ssi-mas) exceções! Contudo, há um lado positivo para a indecência do cenário atual, a pressão pela criação de mecanismos e tecnologias de ampliação da vigilância e controle dos atos públicos, para assim, tentar salvaguardar os interesses da coletividade brasileira.