HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

A origem da Língua Portuguesa provém do Latim Vulgar que foi trazido pelos Romanos para a península Hispânica ou Ibérica. Com isso, percebemos que foi o dialeto popular, falado pela classe mais pobre, que se desenvolveu e expandiu-se.
Toma-se nota que antes da invasão romana na Península, já habitavam nessa região vários povos, entre eles: os iberos, considerados o povo mais antigo; os celtas, advindos do sul da Alemanha; os fenícios, politeístas com cultos e sacrifícios humanos, notáveis pelo comércio e técnicas marítimas; os gregos, marcantes no comércio mediterrâneo e na arte peninsular; e os cartagineses, grandes mercantilistas. Outros povos, com menor destaque, ocuparam a região.
Por volta do século VI a.C., os Celtas invadiram e ocuparam a península. Com o passar dos séculos fundiram-se com os Iberos, dando origem aos Celtiberos.
Mais adiante, com um grande progresso comercial e marítimo de Cartago e, consequentemente, sua influência na África e no mediterrâneo, em nada agradava os Romanos que, por sua vez, pretendiam a hegemonia da região. Então, em 219 a.C. os cartagineses, com o intuito de controle, invadiram a península. Em contrapartida, Romanos vem em defesa dos Celtiberos e, porque não dizer, de seus interesses ideológicos de colonização.
Sendo assim, Roma intervém contra o avanço cartaginês sobre a população hispânica. A partir daí, inicia-se o plano romano de incorporação deste território, que não passam só pelo caráter político-militar, mas também socioideológico.
Logo, os Romanos reconquistaram seu objetivo, após a resistência cartaginesa e a do povo lusitano do sul. Também fora realizada conquista linguística, impondo aos vencidos o Latim. De modo que ocorreu um verdadeiro processo civilizatório: construção de escolas (obrigatoriedade do Latim), estradas, templos, recrutamento militar, crescimento do comércio e serviços, implantação do cristianismo. Enfim, os provincianos “adotaram de todo os costumes romanos e até nem já se lembram da própria língua” (Estrabão).
Nessa época, os bárbaros germânicos (alanos, servos, vândalos e visigodos) invadiram a Província romana e, logo em seguida, vieram os suevos. Os visigodos, de índole guerreira e rude, foram os que mais assolaram os hispânicos e por mais tempo mantiveram o seu reinado.
Com as invasões germânicas, ocorreram alguns fatos históricos importantes: o desaparecimento da nobreza, a supressão do ensino escolar e valorização da prática guerreira, a ‘deterioração’ das artes, das ciências e da própria língua dos romanos.
Com o fim do Império Romano do Ocidente, devido às invasões sofridas pelos bárbaros do centro europeu, a linguagem hispânica foi bastante modificada pela implantação da língua bárbaro-germânica. Ocorre a dialetação do Latim Vulgar, ou seja, em cada região peninsular falava uma variedade da língua.
No século VIII, foi a vez dos árabes invadiram a Península Ibérica pelas Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar) após uma forte dominação no norte africano. Os visigodos pouco poderam fazer, sendo vencidos por completo em 711. Os mouros, vitoriosos, instituíram o árabe como a língua oficial, a qual fora rejeitada pela maioria da população, que continuaram a falar o romance, que era o Latim Vulgar modificado pelos bárbaros. Contudo os mulçumanos influenciaram fortemente algumas povoações, dando origem aos moçarabes.
A reconquista do território peninsular foi bastante turbulenta. Para expulsar os mouros, foram investidas inúmeras batalhas. D. Afonso VI, rei de Leão e Castela, apoiado por vários fidalgos iniciara a empreitada. Entre eles destacara-se o conde de Borgonha, D. Henrique que recebera em casamento D. Tareja, esta, como dote, ganhara o Condado Portucalense, dado por seu pai, D. Afonso VI.
Com a morte de D. Henrique, que anteriormente estendera o Condado até os limites do Minho ao Tejo, coubera ao seu filho D. Afonso Henriques fazer com o que o território em questão fosse considerado independente do reino de Leão e Castela.
Em 1.139 ocorrera a batalha de Ourique, entre os árabes e portugueses, tendo à frente D. Afonso Henriques que mexera com o brio de seus comandados, fazendo com que o aclamassem Rei de Portugal. Entretanto, só em 1.143 foi reconhecida a independência Portucalense e, consequentemente, o título de rei a D. Afonso Henrique. Dessa forma, estava fundado o reino de Portugal.
Assim, no novo reino falava-se o galaico-português, língua originária das regiões da Galízia e de Portugal. Com o passar do tempo, o reino se estendeu para a parte meridional, recolhendo para si os dialetos ou romances que ali se falavam. Com a absorção dos romances, o galego-português apresentou várias diferenças linguísticas, as quais foram a causa de sua divisão. Então o galego parou de evoluir, perdendo sua importância e o português cresceu tornando-se independente e mais influente.