POLÍTICA E SOCIEDADE: FORÇAS DESIGUAIS

Tão ilusório possa ser hoje o termo “o poder emana do povo e para o povo”, isso por conta da reprodução de um sistema de escolha tido como “democrático” extremamente fragilizado e com vícios culturais capazes de levar os piores bandidos políticos a vitória eleitoral.
Não é só isso, infiltrou-se na cabeça da maioria que a safadeza é geral, que o sistema político é amplamente corrompido e que não há jeito para essa situação. Tal perspectiva leva a população a desacreditar no benefício de sua participação, no efeito positivo de sua voz e brado.
Com isso, as forças tornam-se cada vez mais desiguais. De um lado o setor político dono de suas próprias vontades e interesses, de outro uma população que, na maioria, observa a quase tudo atônita, perplexa e imóvel, alheia as suas necessidades e direitos. Esse cenário em nada desagrada a classe representativa que encontra nesse desinteresse lugares férteis para ‘aprontar’ das suas.
Talvez por isso que o papel do judiciário tenha ganhado tanto destaque e respaldo. Os outros poderes tem sido “controlados” e fiscalizados sem a presença marcante e decisiva da população, pelo menos não na quantidade mínima desejada, que se esquece da coletividade e se preocupa, em nível micro, com o seu “mundinho” particular.
Quando as duas forças, um dia, estiverem equivalentes, mais equilibradas, possivelmente a vida política e pública no país darão um salto qualitativo de satisfação. Enquanto isso, muitos continuarão a praticar a conversa de esquina, o cochicho ao pé do ouvido que pouco ou nada interferem na realidade social.