LUÍS GOMES TEM CASSAÇÃO HISTÓRICA

Luís Gomes. Cassação histórica. Tribunal Superior Eleitoral decidiu, de forma unânime, pela cassação dos diplomas de prefeito de Francisco Tadeu Nunes e da vice-prefeita, Antônia Gomes Abrantes Barbosa, fato inédito na história política do município de Luís Gomes.
O TSE determinou a cassação dos réus por comportamento ilícito e moralmente reprovável, de abuso de poder econômico, abuso de poder político e captação indevida de sufrágio (voto).
Além dos crimes eleitorais, pesa sobre o governo de Francisco Tadeu a ausência do bom administrador, que precisa ter ou desenvolver algumas qualidades imprescindíveis para o sucesso de sua função: planejamento, dedicação, liderança, atitude, transparência, interação e sensibilidade.
AS FASES DO PROCESSO
A primeira sentença (07.02.2014) foi impetrada pelo Juiz da 42.ª Zona Eleitoral, Dr. Osvaldo Cândido de Lima Júnior, pela prática de abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de outubro de 2012.
Num segundo momento (08.05), o TRE/RN, através de seu colegiado, manteve a cassação do prefeito de Luís Gomes. Seis dias depois foi empossado pela 2ª vez, Francisco Joseilson da Silva, a condição de prefeito interino. Dr. Tadeu retomou o cargo em 22 de maio por força de liminar junto ao TRE/RN.
A terceira decisão dada pelo TSE no último dia 10, determina em definitivo o afastamento do executivo, a posse do presidente da câmara de vereadores, Francisco Joseílson da Silva, por um período máximo de 03 meses, havendo nesse curso a realização de eleições para prefeito e vice-prefeito do município de Luís Gomes.
ABUSO DE PODER ECONÔMICO E POLÍTICO
Legalmente, o abuso de poder econômico e político, que visa a vantagens eleitorais (factível) imediatas, além de intervir e macular o processo eleitoral, ainda interfere e ilegítima os resultados. O uso da máquina pública para fins puramente eleitoreiros, além de ser um ato abusivo e ilegal, compromete a lisura, a moralidade da eleição. Diante disso, em contrapartida, cabem a punição de inelegibilidade do autor dos fatos e a perda do mandato eletivo do favorecido.
OUTROS ERROS DO GOVERNO TADEU NUNES
O baixo aproveitamento de recursos federais e a falta de (bons) projetos; a inabilidade de planejamento central e, consequentemente, por parte de cargos de confiança; a aceitabilidade para com as obras ‘mortas’ ou inacabadas; o desequilíbrio quase que contínuo dos meios financeiros, contábeis e fiscais; o descrédito e a descrença da população; as constantes medidas de ajustamento de conduta; a escalada de dívidas e problemas; a constante queda de braço com a justiça...
Os problemas só aumentavam em Luís Gomes. A violência, a crise insustentável de água, a ‘falta’ de recursos para honrar os compromissos, falta de coisas básicas como medicamentos, insumos para as atividades laborais...
NOVAS ELEIÇÕES
Com a cassação de Francisco Tadeu e Antônia Gomes, novas eleições (diretas ou indiretas) serão realizadas. Será que candidatos irão montar um novo circo? Em campanha nos faz rir, mas na prática nos faz ‘chorar’. E os nossos eleitores aprenderam a diferenciar o lobo vestido de pele de cordeiro?
PROJETO POLÍTICO PARA O FUTURO
Tanto direita quanto esquerda possuem projetos políticos e administrativos falidos, ultrapassados, sendo necessária uma nova política. O discurso de mudança é vazio, pois os ‘padrões’ de ineficiência se repetem e se refletem na vida pública do município.
Política em Luís Gomes, normalmente, se fez com dinheiro, promessas e imediatismos. Senso comum de um processo ainda em retrocesso, infelizmente.
Vivemos uma necrose, uma morte lenta e dolorosa, daquilo que consideramos precioso: o poder que emana do povo. E isso porque, através de décadas, a participação social nas decisões políticas quase que inexistiram ou foram insignificantes. Muitas são as correntes e os medos que ainda precisam ser quebrados.
UM NOVO JEITO DE ADMINISTRAR
“É preciso respeitar critérios técnicos; respeitar princípios democráticos e republicanos [...] um gestor público é mero empregado do povo e para o povo” (CaioHostilio). Segundo Stephen Kanitz, na obra “A Missão do Administrador”, as funções do administrador são:
1. Olhar para fora, não para dentro. Noutras palavras, é ter uma visão estratégica expansiva e dinâmica, que se preocupa com o crescimento a médio e longo prazo de uma instância governamental.
2. Administrar é ter acabativa. Ou seja, é ter a capacidade de iniciativa, desenvolvimento e conclusão de projetos. Na contramão disso, é comum vermos muitas obras públicas que iniciam, mas não são finalizadas.
3. Administrar é realizar o sonho dos outros. Significa pensar nos outros, agir em favor da sociedade. É formar, qualificar, deixar participar, liderar, compartilhar, ser ator social efetivo...
4. Administrar é nunca acumular problemas. Caso contrário, tudo fica mais difícil de ser resolvido e os problemas engolem, desequilibram, sufocam os gestores.
5. Administrar é saber delegar. Não se pode resolver tudo sozinho, não é possível! É preciso dividir responsabilidades e cobrar resultados. Por isso, é tão importante uma equipe de trabalho (secretários, coordenadores...) qualificada e proativa.
6. Administrar é por fim a incompetência. “Sai o improvisador e o esperto, entra o administrador formado em cooperação e treinamento”. A incompetência gera custos, perda de tempo e dor de cabeça.
7. Administrar é saber o intervalo entre ação e reação. Não tomar decisões impulsivas, mas avaliar a melhor maneira de superar os entraves.
8. Administrar é ter que lidar com problemas brochantes. Questões desse tipo (roubo, desvio, falta de dinheiro, decisões tolas) deveriam ter prioridade de resolução. Mas “ainda aplaudimos os que nos prometem ir para frente, ignorando que estamos indo para trás”.
9. Administrar é por em ordem o progresso. Sem ordem, sem regras, sem convicções, não há progresso.
10. Administrando pessoas estranhas. É mais produtivo liderar e trabalhar com “desconhecidos” do que com parentes e próximos.
11. Administrando pessoas muito estranhas. Muitos estranhos dependem de um trabalho eficiente de um administrador, principalmente os mais carentes.
12. Administrando com desconfiança. Corruptores e corrompidos existem e que outros podem aparecer. Então, desconfie para evitar as condutas impróprias.
13. Administrar é saber delegar. Quando mais trabalho, questionamentos, dúvidas, problemas, picuinhas chegam ao administrador, mais provável é que a administração está em desordem.
14. Administrar é saber fazer as perguntas, não achar as soluções. Os questionamentos é quem nos movem e impulsionam a vencer desafios.
15. Administrar é ser ágil na ação e decisão. Pessoas qualificadas encontram soluções na agilidade, no conhecimento, no profissionalismo.