LUÍS GOMES: COLÉGIO COMERCIAL PADRE OSVALDO

Éramos bons alunos, determinados... Na verdade, quase todos. Haviam alguns espoletados, tomados por alguma entidade diabólica. Mas tínhamos que respeitar as diferenças, não é?
Uma parte de minha vida transcorreu aqui, nesse espaço, hoje, bem maior. E quando chegava atrasado, coisa rara, então gastava os argumentos e as súplicas para convencer o porteiro. Se alguém viesse sem farda ou tênis já sabia: voltava pra casa! Lições importantes de disciplina.
Não é preciso esforço para recordar o “Para frente para o alto, sempre mais sempre melhor”. Era a nossa terça-feira cívica, patriótica, carregada de simbolismos. Quem comandava aquele batalhão era um general poderoso nas palavras e nas convicções, o queridíssimo Senhor Padre Raimundo Osvaldo Rocha. Tanto era respeitado, que alguns sentiam apreensão de aproximar-se, puxar conversa ou fazer perguntas. Muitos nem gostavam de se perfilar, cantar o hino nacional, participar do protocolo, mas cedia mediante a figura emblemática de Padre Osvaldo.
As aulas inaugurais de início de ano letivo serviam para muita coisa, mas principalmente para dizer que havia regras e normas a serem cumpridas. Também era um momento decisivo para demarcação de território. Éramos feras defendendo seu espaço e quem não corresse não teria chance de escolher um lugar de preferência na sala de aula.
Recordo-me, naquela época, ano de 1994, que as turmas do 5º e 6º ano eram muito numerosas, chegando a faltar carteiras para alguns. Nos dias seguintes os ajustes eram feitos. Em algumas aulas, de início, era difícil ouvir a voz do professor.
E como não citar os guerreiros educadores. Desdobravam-se. Lembro-me, com água na boca, da tão esperada aula de Educação Sexual, que os alunos chamavam de Aula de Sexologia. Para essa tarefa magnífica, coube a professora Ana Maria a tarefa de tirar as dúvidas dos alunos. Nunca dantes vi os colegas prestarem tanto atenção a uma aula, como foi aquela. É verdade, havia algumas risadinhas. Natural.
Entretanto, fomos bons operários da aprendizagem. Líamos, escrevíamos que a mão inchava (rsrsrs). Fazíamos apresentações, seminários, debates... E como valeu a pena!
Depois dessa canseira, no intervalo, tentávamos relaxar, como uma válvula de escape (e isso nos absorve de qualquer culpa rsrsrs), fazendo algazarra, empurra-empurra e, para quem não sabe, criamos o corredor da “morte”. Não sei por que escolheram um nome tão feio assim. Sei que era composto quase que completamente por meninos e servia para duas coisas: Para empurrar e estapear os do sexo masculino e para atribuir notas para a beleza feminina. Ora ou outra tínhamos que nos dispersar rapidamente quando éramos denunciados à diretora Lúcia. Quando chegávamos às salas, os 10 minutos iniciais de aula eram os comentários das artimanhas do recreio.
O bulling era matéria diária na nossa educação. Contudo, aprendemos a nos fortalecer com as dificuldades e injúrias. Até mesmo os professores eram vítimas. Houve um que sentou em uma tarrachinha. Entretanto, esses errantes, lá no fundo, eram boas pessoas.
Sim, nossos mestres... Como não lembrar! Solange um doce de pessoa. Ítalo, irreverente. Nilo, sério (às vezes). Socorro Silva, dedicada. Jesus, exigente. Luzenir, tranquilidade em pessoa. Franklin Miguel, metódico. Emanuel, solícito. Antonio de Pádua, boa praça. Francisquim, gesticulador. Graciene, foco total. Lúcia, a autoridade. Sandrali, a elegância. Houve outros, a eles nosso carinho e reconhecimento.
Padre Osvaldo também foi meu professor de Religião. Palavra fácil, voz imponente, com ele aprendíamos que a fé é um alicerce para a vida e que um homem de bem precisa estudar suas ideias para que suas ações sejam benéficas, progressistas.
Com esse relato, de fato, volto a minha infância e adolescência. “Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino” (Fernando Sabino).