JUSTIÇA AMERICANA LEGALIZA CASAMENTO GAY NO PAÍS INTEIRO

A Suprema Corte americana determinou, nesta sexta-feira (26), a legalidade da união civil entre homossexuais em todos os Estados do país. Nos EUA, os governos locais têm mais autonomia que no Brasil. Por isso, até hoje, havia uma divisão: alguns Estados - 37 dos 50 – consideram legal o casamento gay. Os outros 13 não. A determinação da Suprema Corte, a instância jurídica mais elevada do país, diz que a proibição ao casamento  gay é inconstitucional. A partir desta sexta-feira, todos os Estados passam a celebrar a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a reconhecer as uniões celebradas em outros Estados.
A decisão passou na Suprema Corte por 5 votos a 4. O juiz  Anthony M. Kennedy fez a defesa da maioria. “Não há união mais profunda que o casamento, porque o casamento reúne os mais elevados ideais de amor, fidelidade, devoção, sacrifício e família”, escreveu o Kennedy. “Como alguns dos envolvidos nesse caso demonstram, o casamento engloba um tipo de amor que dura para além da morte. Seria incorreto dizer que esses homens e mulheres desrespeitam a ideia de casamento. Seu apelo é de que eles respeitam esse ideal, e respeitam tão profundamente que tentam realizá-lo sozinhos. Eles pedem que sejam tratados com igual dignidade aos olhos da lei. A Constituição lhes garante esse direito”.
Segundo o New York Times, a decisão é resultado de anos de ativismo e resulta de uma mudança recente da opinião pública: a maioria dos americanos, hoje, se diz favorável ao casamento gay.
Em um pronunciamento, o presidente Barack Obama afirmou que a decisão representa uma “vitória para a América”. Falando da Casa Branca, Obama afirmou que, por vezes, o progresso social ocorre de forma lenta mas que “há dias como o de hoje em que esses esforços lentos e contínuos são recompensados quando a justiça surge como um raio”.
A decisão da Suprema Corte, que valida casamentos em todos os Estados, refere-se a quatro uniões específicas e que servem de jurisprudência– quatro casais que não puderam se casar em seus Estados de origem e levaram o caso à Suprema Corte na tentativa de ter seus direitos reconhecidos. Os juízes determinaram que esses casamentos devem ser reconhecidos, e que o mesmo vale para outros casamentos entre pessoas do mesmo sexo. O caso mais famoso, dentre os quatro, é o de Obergefell x Hodges. Jim Obergefell, de 48 anos, mora em Ohio. Ele e o companheiro John Arthur se casaram em Maryland, onde a união seria reconhecida. Arthur morreu pouco depois e Obergefell entrou na justiça para que seu casamento fosse reconhecido na certidão de óbito do marido. Na briga, o Estado de Ohio era representado pelo Diretor do Departamento de Saúde Richard Hodges.
De acordo com a NBC News, a decisão da Suprema Corte é a maior mudança efetuada nas leis que regulam o casamento nos EUA desde que o país derrubou a proibição ao casamento inter-racial há 50 anos.
Fonte: epoca.globo.com