LUÍS GOMES: ELEIÇÕES E CONTRADIÇÕES

Se a sociedade é contraditória, a política é muito mais. Em Luís Gomes, por exemplo, as formações políticas e os discursos têm uma força tão discrepante que chega a ser irrisório o posicionamento de certos políticos.
E muitos eleitores movidos, exclusivamente, pela paixão e ganhos financeiros pós-eleições, são defensores ferrenhos, quase loucos, de seus candidatos. Quase não sobra espaço para a razão...
Nesse misto de paixão, loucura e interesses, o desejo pela verdadeira mudança, aquela necessária à melhoria de vida da população, se emoldura numa utopia, quase interminável. E assim muitos fingem votar consciente e, na mesma sintonia, muitos fingem administrar corretamente.
Não temos dúvida que a mudança é urgente e necessária. Entretanto, têm muitas mudanças que ficam somente no discurso bonito. Ultimamente, as mudanças propostas, politicamente, tem nos levado a tacar a cara no muro...
Virou moda o discurso da mudança. Só modismo e pouca prática... Enquanto isso falta ética, responsabilidade, honestidade, lealdade, coerência... Em nossa política tornou-se rotineiro, na linguagem popular, “cuspir no prato que come”, ficar no pula-pula, distorcer fatos, manipular e corromper, vencer a qualquer custo, disseminar campanha de ódio, abandonar princípios e convicções e por aí vai...
Não se iludam, não sejam românticos! A política é um mar de lama. Todos sabem disso. Ou não? O importante é conseguir tirar a sujeira depois... Ficarão apenas algumas “manchinhas”.
Aos personagens que se enquadram nesse contexto ainda tem o benefício de residirem numa cidade de intensa religiosidade. De qualquer maneira, é só apelar clemência para Senhora Santana e perdão ao Senhor Deus Todo Poderoso.
No fim tudo ou quase tudo “acaba bem”... Não queremos reforçar o discurso do politicamente correto, claro que não. Até porque estamos cansados de ouvir isso dos candidatos...   
E os argumentos? Os argumentos! Foi-se o tempo em que eles tinham valor. Hoje na política se consegue convencer tão fácil... Mas eles nos divertem. É engraçado ver o candidato argumentar e ser atropelado, nocauteado por suas próprias palavras. E boa parte do povo? Nem liga, não tá nem aí. O importante, para vários, é a pinga e a bandeira na mão e um pouco de animação...
Eleições e suas contradições... Até rima. Mas não é poesia para os ouvidos...
Por fim, a sociedade precisa fazer uma autocrítica no caminho de uma mudança positiva para todos. E que tal refletirmos a parte da seguinte pergunta: Se o poder emana do povo, de onde emana a corrupção?