LUÍS GOMES: POLÍTICA E ESPETACULARIZAÇÃO

O espetáculo tem o poder de atrair e prender o olhar e a atenção do espectador, da sociedade. Para isso, é necessário sair do lugar comum, é preciso criar, inventar, produzir elementos atrativos, impactantes, emocionantes, satisfatórios.
A política se utiliza do espetáculo como forma de aproximar candidato e eleitores, produzir vínculos e fidelidade, principalmente usando elementos de comunicação em massa, isto é, os meios midiáticos.
O universo político absorveu, de forma intensa, as estratégias de marketing, publicidade, propaganda e entretenimento. Os políticos podem ser um personagem, um produto à venda, um modelo na passarela, um animador de auditório, um vendedor de sonhos...
O político precisa ser visto (popularização), ter seguidores (líder), audiência (comunicador) do “respeitável público”. Os comícios tornam-se os programas de auditório, as promessas são as mágicas do artista ilusionista, o personagem é um herói capaz de derrotar os problemas e fazer com que as pessoas vivam “felizes para sempre”.
O espetáculo maximiza a exposição do político. Para isso, recursos como shows pirotécnicos, comícios (convidados especiais), carreatas e outros atos públicos, supervalorização de acontecimentos, a venda da solução, a superexposição nas redes sociais, a construção impecável da imagem íntegra e justa, são essenciais na corrida eleitoral.
Em Luís Gomes esses elementos da espetacularização são uma marca constante, principalmente nas redes sociais. As manifestações elevam, na maior parte das vezes, o candidato à condição de super-herói, de verdadeiro endeusamento, de divindade, de salvador da pátria, de capacidades inquestionáveis.
As pessoas (eleitores), em boa parte, são tão fiéis, tão apaixonados, tão cegos, tão espetacularizadas, que partem para o ataque sem nenhum pudor ou respeito, com as palavras mais absurdas, com gestos obscenos, com agressões físicas e morais, tudo em nome da melhoria da qualidade de vida. Que contraditório!
O espetáculo tem esse poder, desnorteia as pessoas, num jogo de sentimentos, imagens e ilusões. Lembrem-se, durante o espetáculo (na luta pelos votos) a cumplicidade entre consumidor (eleitor) e sua marca (candidato) é total. Depois do espetáculo, quebra-se o sonho e a ilusão, voltando a uma realidade distante das aparências e do mundo irreal prometido por políticos.
Para o sucesso do espetáculo político não importa os meios, mas que seja possível, dentro de um estratagema razoável, a construção de uma apresentação de sucesso, atrativa, apaixonante, fidelizadora, construtiva, superior, para a ascensão ao poder.