AGAMENON FERNANDES DISCURSA EM HOMENAGEM A JADER TORQUATO

DISCURSO PROFERIDO POR AGAMENON FERNANDES, NO DIA 24/07/2015, POR OCASIÃO DA APOSIÇÃO DE PLACA DENOMINANDO DE “ADVOGADO JADER TORQUATO DO RÊGO”, A SALA DOS ADVOGADOS DO FORUM DESEMBARGADOR JOSÉ FERNANDES VIEIRA, NA CIDADE DE LUÍS GOMES/RN.

Composição da mesa:
Dr. Francisco de Assis Correia Rêgo, Presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, com sede em Pau dos Ferros.
Desembargador Hélio Fernandes, neste momento representando os amigos de Jader Torquato do Rêgo.
Dr. Ivonildo Torquato de Figueirêdo, representando a família Torquato.
Dr. Johnson Braga, representando o Dr. Kennedy de Oliveira Braga, Juiz de Direito em exercício nesta Comarca.
Demais autoridades presentes.
Minhas senhoras, meus senhores.
Parece que o tempo me ensinou a conhecer a vida de Jader Torquato –. A sua vida estudantil iniciada aqui no Grupo Escolar Cel. Fernandes, seguida no Colégio Diocesano de Mossoró, no Colégio Carneiro Leão, no Recife, na Faculdade de Direito do Recife e concluída na Faculdade de Direito – Campus da Cidade de Souza/PB.
O que ele mais rememorava era a sua passagem por Recife – Estudante, tornou-se amigo do seu Colega Crimaldi Ribeiro de Paiva, participando ativamente da campanha de Agamenon Magalhães ao cargo de Governador do Estado de Pernambuco – chegou a ser nomeado Oficial do gabinete do Governador – hospedava-se no Grande Hotel do Recife, naquele tempo a mais luxuosa hospedaria da Capital – e sempre estava presente nos almoços no Restaurante Leite – que era o local de reuniões dos líderes políticos de Pernambuco.
Aprovado no Vestibular da Faculdade de Direito do Recife, juntamente com outros norteriograndenses, sempre lembrava como seu colega de vestibular o nome do Jurista Potiguar Múcio Vilar Ribeiro Dantas.
No mês de março de 1945, estava presente na Praça do Diário, em Recife, no momento da morte do estudante Demócrito Souza, dizia que ele Demócrito estava na sacada do prédio do Diário de Pernambuco, no momento que se realizava uma grande concentração estudantil, ele  sempre dizia que os jornais da Capital Pernambucana e do Brasil,  estamparam em primeira página:   “os assassinos da nação mataram o líder estudantil Demócrito de Souza”.
Ingressou na Política, transferiu a sua matrícula para o curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Praça Augusto Severo, em Natal/RN – parece que não chegou sequer a convalidar a matrícula, casou-se com dona Maria Inês de Mesquita Torquato, passando a residir nesta cidade, elegeu-se Deputado Estado pelo Rio Grande do Norte (1951/1954), posteriormente fora  nomeado Auditor Fiscal do Estado, anos depois, eleito Prefeito desta Cidade – aqui traçou as primeiras planilhas para o desenvolvimento desta aprazível cidade.
Hoje tem a sua foto aposta na Galeria dos Deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.
Neste dia de julho, mês de Santana e de temperatura amena, Jader Torquato, teria acordado cedo, quase pela madrugada, despertado antes pelo cantar do Galo de Campina postado na árvore ali ao lado da sua casa, teria aplaudido o Sabiá degustando um fruto nas pinheiras do passado, hoje, vemos que essas  aves e árvores o tempo as consumiu. As aves, de tão tristes desertaram rumo ao horizonte sem fim. Nunca mais retornarão.
Hoje cedo, teria, como nós, sido acordado pela Banda de Música Dr. Vicente Lopes, entoando os sons dos seus melodiosos dobrados. (apesar de existir um dobrado com o seu próprio nome (Dobrado Jader Torquato), ele era amante do Dobrado “CISNE BRANCO”).
Dia de festa. Muita gente na rua. Estaria dizendo a Dona Inês: prepare o almoço que vem muita gente, na realidade, queria mesmo era ver a mesa farta – referia-se aos seus amigos que carinhosamente os recebia nas mesas postadas da sala à cozinha da sua residência, enquanto que no muro, a carne já ardia nas brasas para o churrasco.
Sabemos que Jader, na resolução do espírito, já visualizou os quatro cantos deste plenário, sentiu a ausência, entre outros, de DEDA e de CHICO TORQUATO. Calma, eles estão ao lado do Pai, a esposa de Deda e os seus filhos, estão todos aqui presentes.
Um certo dia, tivemos mais um  momento feliz,  quando o incentivamos a concluir o curso de direito, eu, pessoalmente,  fui à Faculdade de Direito de Natal, ali, a Secretaria conseguiu todos os documentos comprobatórios de sua transferência da antiga Faculdade de Direito do Recife para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, esses documentos foram suficientes a instrumentalizar a sua matrícula na Faculdade de Direito de Souza – concluiu o curso, discutiu direito nas mesas de debates, adorava ler os acórdãos lavrados pelos Ministros Tohompson Flores e Rafael Maier, do STF (sempre lembrava, o Ministro Rafael Mayer é natural de Monteiro, na Paraíba, formado no ano de 1943, pela Faculdade de Direito do Recife.  Aqui, com relação ao seu amigo Desembargador Hélio Fernandes, ele foi Relator de um Recurso envolvendo um amigo de Jader, logo veio a esperança, o voto do Desembargador pode ser a  favor, no dia do julgamento, esse Jurista,  fez um voto analítico, até a metade, até favorável ao recorrente, amigo de Jader, veio a conclusão, ISTO POSTO:  mantenho a sentença condenatória recorrida e mais dou provimento ao recurso da acusação para aumentar em 1/3 (um terço) a pena imposta ao recorrente. (ficou triste, amigo do Relator, aplaudiu o resultado), em seguida, a seu modo, referindo-se ao amigo Desembargador, disse: “aquele homem não tem jeito não”.
Sem dúvidas algumas, ao falecer ele outorgou, definitivamente, o seu múnus público de advogado, ao seu filho, Francisco Fontes Neto, Dr. Neto e disse-lhe: “cuide dos meus clientes, defendendo-os sempre, porque até ao responsável pelo mais cruel dos crimes, a constituição em cláusulas imutáveis lhe assegura o mais amplo direito de defesa”. “Não há crime que não comporte uma tese de defesa”.
Hoje, nesta tarde, memorável, para todos nós da família, reúnem-se aqui os seus amigos daquele tempo e os amigos da sua família para assistirem a essa homenagem no momento em que no Forum Des. José Fernandes Vieira, o local destinado ao encontro de trabalho dos advogados, é denominado de “SALA ADVOGADO JADER TORQUATO DO RÊGO”.
Nós agradecemos à lembrança da OAB/RN, na pessoa do nosso amigo e Colega Dr. Assis Correia, por essa distinção – a OAB/RN é a bandeira de luta permanente pela defesa dos oprimidos e pela manutenção da plena democracia.
Antes do encerramento desta mensagem, narramos o Poema “O TEMPO”, de Mário Quintana, o chamado Poeta das coisas simples.

O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

É verdade que essa mensagem, escrita, foi recheada por momentos improviso, como recurso para expressar a realidade de vida do homenageado Jader Torquato do Rêgo.
Aos amigos e aos advogados, desta e de outras cidades, deste e de outros Estados, neste momento, em nome de Dona Inês e de toda a família de Jader Torquato do Rêgo, nós levantamos às nossas mãos para apertarmos às vossas mãos, externando o nosso muito obrigado.