CIDADANIA SE FAZ COM DEBATE LIVRE

Ao longo da história política de Luís Gomes as forças de poder e de comando quase sempre guiaram os destinos do município de forma unilateral, impositiva, pela fuga ao debate e o silenciamento democrático, produzindo um gigantesco déficit de participação e de construção de atores conscientes.
A sequência de governos autoritaristas colocava, na maior parte das vezes, a agenda pessoal e partidária à frente da agenda social. A história revela: contra fatos não há argumentos. As decisões estratégicas e fundamentais da municipalidade raramente passaram pelo crivo da população, que ficou alheia e distanciada.
Sempre coube “aos doutores e aplicadores da lei” o papel solitário, complicado e intimista de decidir coisas importantes que afetavam a vida de milhares de pessoas todos os dias.
Só mais recentemente o debate de planos e projetos municipais abriram as portas para novos atores da sociedade civil, mas ainda de forma tímida e controlada. Isso é uma prova inequívoca de que governos opressores têm horror a inteligência e a vontade da comunidade. Na democracia o poder emana do povo.
O povo luís-gomense só poderá conscientizar-se de seus dilemas, de seus direitos e de seus deveres através do debate verdadeiramente livre e democrático. Enquanto houver distanciamento entre gestão municipal e a sociedade civil, em relação ao planejamento das ações de governo, a tendência é que ocorra o agravamento da crise e a implosão da máquina pública.
E quando falamos em aproximação, em entrelaçamento entre gestão e povo, não é aquele em que servidores do município dão “Bom dia!”, chamam para fazer uma visita ao órgão ou escutam pessoas pelas ruas. Isso é uma parte ínfima de todo o processo de fortalecimento de uma democracia mais efetiva.
Se nessas últimas décadas as esferas de poder tivessem desenvolvido políticas de acesso à participação consolidada, através do debate e na construção coletiva do enfrentamento de problemas e entraves intrínsecos, o cenário atual certamente seria muito mais favorável.
E por quê? Quando o poder se concentra na mão de poucos se corre um grande risco de surgir ou ampliar mecanismos de corrupção, lavagem de dinheiro, destroçando os princípios fundamentais da administração: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
A ideia de trazer os cidadãos para o debate é justamente potencializar a democracia e a ampla fiscalização das atividades desenvolvidas. Mesmo que houvesse esse tipo de controle e de vigilância a imoralidade se faria presente, imagine sem a inspeção da sociedade organizada?
É o que ocorre há muitos anos em Luís Gomes! Os centros de poder tomam as decisões na medida e na forma que lhe convém, em muitos casos com favorecimentos ilícitos, instaura e fortalece um projeto de perpetuação no poder, gera um sem-fim de vantagens pecuniárias, sem fiscalização efetiva e autônoma para precaver ou denunciar, levando a cidade ao sufocamento financeiro e moral que hoje se encontra.
É preciso planejar junto com a população, fazer com ela parceiras, pactuações, dividir responsabilidades, compartilhar dificuldades, para colocar o município novamente nos eixos. É preciso que os planos municipais, a LDO, o PPA, a LOA, entre outros, sejam amplamente discutidos e que não sejam resultados de Control C e Control V com mínimas alterações. É preciso cobrar de forma mais firme do legislativo para que atue não com vista a seus próprios interesses, apesar de acompanharmos em diversas ocasiões o contrário.
A cidadania se aperfeiçoa quando há maior igualdade entre os cidadãos, isto é, maior equidade de participação da tomada de decisões, ampla distribuição de renda, consolidação do repeito às diferenças, quebra de status de superioridade para o status de cidadania. E isso, definitivamente, não é uma realidade de Luís Gomes. Por isso, grande parte da população ainda continuará a sentir o desconforto e o descalabro da crise que assola e desmoraliza essa pequena e singela pátria. 
Vivemos um tempo de pequenas reformas, de pequenas melhorias, de pequenos avanços. Tudo muito pequeno. Luís Gomes se apequenou pela ação estéril de políticos e pelo ostracismo da população. Vamos torcer para que os buracos, ou melhor, os rombos sejam sanados paulatinamente. Vamos torcer para que o município, em sua representatividade, respeite de forma contundente a Lei de Responsabilidade Fiscal. Vamos torcer que não apareçam alunos fantasmas. Vamos torcer para que não imperem as gestões imediatistas e oportunistas. Vamos torcer que mais pessoas opinem, se manifestem de forma autônoma, sem cabresto. Vamos torcer menos por políticos e mais por Luís Gomes.