QUATRO ANOS SEM ÁGUA NAS TORNEIRAS

No dia 30 de outubro de 2015, Luís Gomes completa 04 anos sem águas nas torneiras. Uma data em que nada há para se comemorar. Entretanto, uma ótima oportunidade para refletirmos sobre a atual situação hídrica do município.
Até lá serão 1.460 dias sem água nas torneiras. Não são apenas números, porque foram dias que também contam momentos de angústia, de desconforto, de humilhação, de gastos adicionais, de carência. Quem paga a conta mais perversa é a população mais pobre.
Luís Gomes/RN enfrenta a pior crise hídrica de todos os tempos. A população enfrenta um conflitante colapso pela falta de abastecimento. Para estudiosos e especialistas se trata da pior Seca dos últimos 100 anos.
Desde o Decreto nº19/2011, de outubro do mesmo ano, que declarava a situação de emergência pela baixa precipitação pluviométrica, o poder público municipal vem a cada seis meses renovando a continuidade do Estado de Emergência, situação que se repete até hoje, permitindo o enfrentamento da escassez com a Operação Carro-Pipa.
Nesse período de quatro anos, o município que tinha na agricultura e na pecuária suas principais fontes econômicas, atualmente se encontra sem condições favoráveis de produzir e comercializar produtos agrícolas. O pouco que se produz serve para o sustento das famílias.
Juntamente com essa adversidade climática, outros graves problemas afligem a população luís-gomense: crise política, ingerência administrativa, corrupção e formação de cartel, escassos recursos federais, dívida pública e acúmulo de passivos, ausência de planejamento e ação estratégica na gestão ao longo dos anos. Impasses que impactam negativamente sobre a qualidade de vida da sociedade serrana.
A força traumática da Seca ainda é sentida devido ao legado de uma política negra e imoral que nunca agiu de forma honesta e efetiva em relação ao problema, apenas com vistas a projetos de poder. Quanto à crise financeira, política e moral que Luís Gomes está imerso é um legado de políticos que merecem o repúdio e o esquecimento da sociedade (coautora desse caos pela omissão ou conluio) e sua posteridade.
Grandes desafios que precisariam, além da vontade política, de uma comunidade mais organizada e mais decisiva na condução das decisões e ações estratégicas da municipalidade. Contudo, as perspectivas apontam para uma situação mais favorável, com a transposição das águas do “Velho Chico” prevista para os próximos meses.