CINCO ANOS SEM ÁGUA NAS TORNEIRAS

Para ser mais exato, no próximo dia 30 de outubro de 2016, Luís Gomes completa 05 anos sem águas nas torneiras. Parece história de Trancoso. Surreal? Inacreditável? Inaceitável? Vergonhoso? Uma data em que nada há para se comemorar, indubitavelmente.
O município serrano foi o primeiro do estado do Rio Grande do Norte a entrar em colapso por falta de água, naquele triste outubro de 2011. Um dos nossos maiores tesouros, o açude Lulu Pinto, agonizava. Hoje está petrificado, à espera de chuvas...
Até lá serão 1.827 dias sem água nas torneiras. Não é apenas a frieza dos números que conta, porque água representa vida, dignidade, imprescindibilidade, primordialidade. Diante disso, quantos momentos de angústia, de desconforto, de humilhação, temos visto. Quem paga a conta mais perversa é a população mais pobre.
Nesse período a voz que brada do sertão é rouca e minguada. Por muito menos, outras revoluções de grandes proporções ocorreram pelo mundo. Entretanto, seguimos a toada vacilante, caótica e demente. Não somos centro, não somos eixo, não somos notáveis. Somos fardo?
A História, com “H” maiúsculo, passa diante dos nossos olhos fatigados, incrédulos. Lágrimas? Nem pensar! Luís Gomes/RN vem enfrentando a pior crise hídrica de todos os tempos. Um colapso que parece não ter fim, um contínuo tapa rude na honra desses filhos da pátria gentil. Ainda não demos conta de que enfrentamos a pior Seca dos últimos 100 anos.
Desde então, as prescrições de emergência se repetem e se renovam como nunca antes visto. O cheiro de óleo diesel pelas estradas, carros d´água que sobem e descem serras, cortando estradas em favor dos necessitados. Estes, quase que diariamente, incansavelmente, até idosos e crianças, seguem a dura rotina de carregar baldes de água. Enquanto outros, tiram de suas receitas apertadas, recursos para a compra do precioso mineral.
Nesse período de cinco anos, o município que tinha na agricultura e na pecuária suas principais fontes econômicas, atualmente se encontra sem as mínimas condições de produzir e comercializar produtos agrícolas. O pouco que se colhe, se come. O pouco que se produz, se inflaciona substancialmente.
Nem todo esse sofrimento e tormenta, nesse longo período, foram suficientes para acelerar e concluir a transposição, por meio da Adutora do Alto Oeste. Repetidos atrasos e desculpas. O povo luís-gomense e toda a região conta os dias, sonho com essa conquista, que nos últimos tempos se tornou um caso de novela. 
A pergunta que nos fazemos é: precisávamos realmente passar por tudo isso? A força devastadora da Seca continua cada vez mais destrutiva e traumática. Pagamos o preço do legado de uma política negra e imoral que nunca agiu de forma honesta e efetiva em relação ao problema, apenas com vistas a projetos de poder. Em Luís Gomes a crítica é quase proporcional. Não houve, por décadas a devida preocupação e tomada de decisão. A posteridade precisa saber da negligência e omissão.
Atualmente, além da Adutora do Alto Oeste, outras medidas estão sendo tomadas para o enfrentamento das estiagens (cisternas, perfuração de poços, construção de minibarragens...) cada vez mais intensas. As perspectivas apontam para uma situação mais favorável, é o que se deseja e se vislumbra, com a transposição das águas do “Velho Chico” prevista para os próximos meses e a previsão de períodos mais chuvosos com a incidência da La Niña.
Hoje corremos atrás do prejuízo, pelo fato de não enxergar as mudanças climáticas e os sinais das últimas décadas, dos últimos anos. Pensar em curto e médio prazo, sobre uma questão tão crucial, foi um terrível erro. Mais uma prova que governo e sociedade imediatistas estão fadados ao infortúnio.
Grandes desafios certamente iremos enfrentar, principalmente ligados às questões ambiental e climática. Precisamos, além da vontade política, de uma comunidade mais organizada e mais decisiva na condução dessas questões (sustentabilidade, (eco) turismo, educação ambiental – 5 Rs, áreas de proteção ambiental, reflorestamento, malha verde, coleta seletiva, saneamento básico...) estratégicas para a municipalidade.