LUÍS GOMES: PERSPECTIVAS DE CHUVAS

Após sofrer por várias décadas com a seca, o Nordeste brasileiro pode ir para o outro extremo e sofrer com excesso de chuvas, que começariam em 30 anos, de acordo com as previsões. Algo difícil de imaginar com uma realidade cada vez mais dramática.
Presumem que o sertão vai virar mar, como dizia a canção. Essas são conjecturas de pesquisadores da USP, uma das universidades mais importantes do país. Por sua vez, meteorologistas do 'Climatempo', adiantam que o fenômeno La Niña trará mais chuvas no fim de 2016 e início do próximo ano.
Se as previsões se confirmarem, seriam efusivamente comemoradas pelo povo de Luís Gomes (mais também por toda a região) que enfrenta uma dura realidade, considerada como a pior crise hídrica de todos os tempos e quase cinco anos convive com um impactante colapso pela falta de água nas torneiras e a árdua tarefa de conseguir o precioso mineral, em sua maioria, através de carros-pipa.
Para se ter uma ideia, o município de Luís Gomes em 2010 teve 532,0 milímetros de precipitações pluviométricas acumuladas. Em 2011 a quantidade caiu bastante, chegando a apenas 253,0 milímetros. Em 2013 houve uma sensível melhora com um total de 900,1 milímetros. Em 2014 tivemos um valor de 681,2 milímetros. Em 2015 o acumulado foi de 506,0 milímetros. Em 2016, até o presente momento, o volume das precipitações foi de 379,1 milímetros.
A partir desses dados apresentados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), com ausência de dados de 2012, sendo este também um ano com poucas chuvas, observa-se que nos últimos anos a média de chuvas anuais do município de Luís Gomes não chega a 540 milímetros, um número que representou, em grande parte, os problemas enfrentados pela população com a estiagem, esfacelamento de setores produtivos e a sentida falta de água nas torneiras.
Historicamente, a média de chuvas de Luís Gomes era de aproximadamente 950 milímetros, bem mais em relação às quantidades ocorridas nos últimos anos, o que culminou para a pior situação hídrica do município em sua história de mais de cem anos, levando-se em consideração a situação igualmente crítica de reservatórios de água em todo o território luís-gomense.

Se as previsões dos meteorologistas acontecerem, com a participação ativa do fenômeno meteorológico La Niña, que já está, inclusive, presente no Brasil a partir deste mês de outubro, a situação de Luís Gomes e de toda a região Nordeste, principalmente no aumento seguro dos volumes dos reservatórios, terá um impacto positivo, garantindo aos cidadãos uma vida mais digna, com condições de permanência em sua região, de prosseguir na construção de sua história e de sua cultura, com respeito e autonomia.