PADRE RAIMUNDO OSVALDO ROCHA

Nascimento: nasceu em 04 de agosto de 1930 no povoado de Mutambeira, município de Sobral, Ceará, filho de Manuel Pereira Rocha e Maria do Espírito Santo Rocha. Foi assistido em seu nascimento pela parteira Maria Sopina de 80 anos de idade.
Batismo: um ano após o nascimento foi batizado pelo Padre Francisco Arakém da Frota, vigário, na capela de Mutambeira, cujo padroeiro é São Gonçalo do Amarante. Teve por padrinhos José Vidal de Vasconcelos e Maria José dos Vanconcelos.
Infância: passada em Mutambeira, com muitas peraltices, levando muitas pisas de seus pais, sempre pronto para trabalhos e mandados.
Estudos: passou por duas escolas primárias em Mutambeira: a sua prima, Maria Romaninha Pereira e de Maria do Carmo Vasconcelos (Madrinha), sua avó torta, esposa de seu avô que era viúvo de outra mulher.
Primeira eucaristia e crisma: foram preparadas, por três anos, pelas catequistas, suas primas, Maria Romaninha Pereira e Mariinha José Pereira, frequentando o catecismo paroquial, com outros meninos e meninas, sempre aos domingos, à tarde, na capela de São Gonçalo. Um dia, após o catecismo, eu disse à catequista Romaninha, minha prima, que me dava bolinhos de goma, para levar bilhetes para o namorado dela, uma coisa feia para o tempo e para minha idade: “Quando eu crescer, eu vou casar com você”. Pai soube, me deu uma pisa, “deixe de ser enxerido, cabra, você não respeita nem a igreja e nem a sua catequista?”. Melhorei mais, fiquei mais compenetrado, porque a primeira comunhão estava próxima e aconteceu quando eu já tinha 10 anos, na missa da festa de São Gonçalo, de roupa toda branca e era a primeira vez que eu vestia cueca e calça comprida! Um mês depois, na capela da vila de Morrinho, com a mesma roupa branca, fui crismado pelo bispo de Sobral, Dom José Tupinambá da Frota e meu padrinho foi João Cândido Pereira que me deu por presente um par de chinelas de couro.
Aos 12 anos, um acontecimento marcante: um tio meu, com grande mercearia na vila de Forquilha, próximo a Sobral, pede a Papai para eu ir para lá, para trabalhar como caxeiro (balconista): só deu para mim: enquanto Mamãe chorava, eu pulava porque ia para um lugar maior e, sobretudo ver uma cidade grande e subir nos estudos, pois, nas duas escolas de Mutambeira, eu não tinha mais o que aprender. Em Forquilha passei dois anos, trabalhando na mercearia do meu tio, Antonio Genésio de Vasconcelos que era muito bom e muito rico, solteiro e muito procurado pelas moças. Vivo como era, não perdia nada: banhos de açude, festas dançantes, levado pelo meu tio e, às vezes, até festas em Sobral. Lá frequentei a escola municipal São Francisco, cuja professora, dona Maria José era Mãe para mim e me ensinava mais que aos outros, porque eu era inteligente e gostava de estudar. Embora já melhorado meu comportamento, mas lá deixei marcas de peraltices, traquinices com colegas e amigos de minha idade.
O chamado de Deus: em Forquilha, passei apenas dois anos. No fim destes dois anos volto a Mutambeira, a chamado de meu pai, que era o encarregado da igreja, para assistir as santas missões pregadas, por uma semana, por três grandes franciscanos: Frei Romualdo, Frei Jerônimo e Frei Cecílio.
Gostei muito, achei tudo tão bonito que fiquei emocionado, tanto que, na última noite, eu disse a Papai: “Eu quero ser frade”. Papai não acreditou, mas no outro dia, tendo ele falado com Mamãe, me perguntou: “Raimundinho, você quer ser frade mesmo?”. Respondi prontamente: “Quero, meu pai, é verdade”. Papai falou com Frei Romualdo e um mês depois eu entrava no Colégio São Francisco, dos Frades, em Canindé. Já mudado e fiquei mais mudado pelos estudos e pela formação que recebia dos frades, pois ali só estudavam alunos com vocação para serem frades e colegas, mas tive que deixar este colégio, porque meus pais vieram morar em Areia Branca, próximo de Mossoró, fato que me fazia começar uma outra história da minha vida.
Já morando com meus pais em Areia Branca, perto de Mossoró, e Mossoró tendo seminário, o vigário de Areia Branca, Cônego Ismar Fernandes, de quem eu ajudava as missas cada dia, falou-me um dia: “Osvaldo, por que você não passa a estudar no seminário de Mossoró, perto daqui, perto de sua família?”. Concordei com o vigário, falei com meus pais e no dia três de fevereiro de 1944, eu dava entrada no seminário de Santa Terezinha de Mossoró, um bom seminário, um ótimo reitor, Pe. Humberto Bruening, com padres professores bons, com uma vida de piedade bem intensa, com aulas durante a manhã e horas de estudos em silêncio à tarde e à noite, uma boa formação para um futuro padre. Aqui passei dois anos e meio, fui transferido para o seminário da Prainha, Fortaleza, Ceará.
Segundo Seminário: transferido do seminário de Mossoró para o seminário de Fortaleza, continuei os estudos do 4º ano, em um seminário bem diferente: muitos seminaristas (300), muitos padres, e o reitor, Pe. Cabral, muito duro, meio idoso, muito exigente e era chamado ocultamente, entre nós, “de velho”. Quando aparecia ou se aproximava da gente, um seminarista dizia como advertência aos outros: “Aí vem o velho”, porque todos tínhamos medo dele, porque ele brigava, passava carão por qualquer coisa, mesmo pequena.
No seminário de Fortaleza, o regulamento era mais apertado, o prédio, embora grande, era também apertado para tanta gente: dormia-se em dormitórios de camas próximas umas às outras, os banhos eram coletivos, por grupos, de calção, e quando a gente demorava o reitor, com uma espécie de bengala, batia nas pernas da gente, mandando sair. Quanto aos estudos e a vida de piedade e formação eram bons.
Mas um fato aconteceu que me favoreceu: meus pais passaram a morar em Natal e assim me alegrei, porque, talvez, eu pudesse deixar o seminário de Fortaleza e ir estudar os dois últimos anos de seminário menor (curso de humanidades), 5º e 6º anos, equivalentes, hoje, ao Ensino Médio em Natal. E assim aconteceu: aos 02 de fevereiro de 1947 eu entrava no seminário de São Pedro, de Natal, onde tudo era melhor: menos seminaristas, mais espaço para tudo, muita vida de piedade e formação, grande disciplina, bons professores padres, destacando-se dois: o Reitor, Cônego José Adelino Dantas que depois foi bispo, e o diretor espiritual, Pe. Eugênio de Araújo Sales, que depois foi bispo e cardeal arcebispo do Rio de Janeiro. Aproveitei muito, em todos os sentidos, nestes dois últimos anos do seminário menor, em Natal, que ainda hoje, guardo saudades e lembranças do seminário e os dois anos de vida lá! Como os antigos hebreus, no exílio, eu digo: “Prenda-se a minha língua ao céu da boca, se eu de ti me esquecer”.
Novo acontecimento: um 4º seminário – seminário de Olinda – Pernambuco, seminário maior. Ingressei neste 4º seminário no começo de fevereiro de 1949. Custei a me adaptar aqui, por ser um seminário muito grande, paredes grossas e altas, de muitos quartos, um grande pátio no meio do prédio, construído no alto da colina, que apresentava duas coisas boas: ventilação contínua e visão panorâmica para o mar. Este seminário, muito antigo, já funcionou como quartel da marinha, como quartel de polícia, Academia literária, convento de frades e finalmente seminário maior e menor, e há anos, agora, só como maior. Apesar de muito grande, não havia dormitórios coletivos, mas os seminaristas, que eram muitos, dormiam quatro em cada quarto, o que não era bom, porque uns atrapalhavam o sono dos outros.
Neste seminário passei dois anos cursando Filosofia, com várias disciplinas, com bons professores quase todos padres, bem preparados, onde, assim, acumulei mais cultura e, pelas atividades de piedade, retiros, palestras, cresci mais na formação religiosa e pessoal também. Mas, não me sentindo bem com o clima do mar e com o calor interno do grande prédio que parecia uma fortaleza, pedi ao meu bispo para me transferir para o seminário maior de João Pessoa que era um prédio também antigo, mas muito arejado e bem longe do mar.
Ingressei neste seminário maior da Paraíba no dia 5 de fevereiro de 1951, para cursar o último ano do curso de Filosofia (3 anos) e iniciar o curso de Teologia, de quatro anos, mas também o último curso dos meus estudos para ser padre.
Gostei muito deste seminário: estudos melhores, professores mais competentes, formação espiritual muito boa, disciplina menos rigorosa, cada seminarista em seu quarto, alimentação melhor, fruto da grande administração de Dom Luis Gonzaga Fernandes e seus bons auxiliares.
Fui muito bem aceito por padres e colegas: bom aluno, bom seminarista, sendo escolhido, por quatro anos, regente do coral do seminário e chefe de disciplina junto aos seminaristas, representando o reitor.
Passei cinco anos nesse seminário, ao qual sempre quis muito bem e do qual ainda tenho saudades, hoje.
Assim, iniciando por dois anos, no colégio São Francisco de Canindé – Ceará, e continuando por cinco seminários, onde morei e estudei, num percurso de 14 anos, terminei os meus estudos e minha formação para padre, que sempre foi à glória maior da minha vida e a satisfação maior da minha vocação sacerdotal.
O padre: terminada a minha longa caminhada dos estudos e formação (14 anos), estava pronto, preparado e querendo muito, para ser ordenado sacerdote, após os estudos e a formação, o candidato recebe quatro Ordens menores e 3 Ordens maiores, conferidas pelo bispo diocesano.
Ordens menores: tonsura (coroa na cabeça), ostiariato (abrir as portas do templo), leitorato (fazer leituras nos atos religiosos) e acolitato (ajudar nas celebrações do padre).
Ordens maiores:
Subdiaconato (juramento de castidade);
Diaconato (meio padre: ler o evangelho, pregar, dar a sagrada comunhão, dar a benção do Santíssimo, batizar, encomendar os defuntos etc);
Presbiterato: ordenação sacerdotal quando se torna realmente padre, recebendo os poderes sacerdotais: celebrar, confessar, batizar, casar e pregar.
Ordenação sacerdotal: após um retiro de uma semana, fui ordenado sacerdote de Deus para sempre pelo meu bispo, de Mossoró, Dom Elizeu Simões Mendes, na capela do seminário de Mossoró, juntamente com o padre José Nobre, já falecido, no dia 22 de dezembro de 1957, presentes diversos padres, alguns seminaristas, meus pais, irmãos, tios, amigos e convidados especiais, também três madrinhas (protetoras) que me ajudaram, por eu ser pobre, por vários anos, no tempo de estudos e preparação nos seminários: Noeme e Júlia Borges (irmãs) de Mossoró, e dona Nenzinha Ribeiro, de João Pessoa – PB.
A minha primeira missa solene foi celebrada no lugar onde eu nasci, vila de Mutambeira, município de Sobral, na capela de São Gonçalo do Amarante, onde me batizei e fiz a minha primeira comunhão, e este acontecimento, o maior até hoje, daquele lugar, no dia 29 de dezembro de 1957.
Após as festas e um mês de férias, recebi a provisão do meu bispo, Dom Elizeu Simões Mendes, para ser coadjutor (auxiliar) do Pe. Manuel Caminha Freire, vigário de Pau dos Ferros, onde trabalhei por nove meses, sendo transferido para Areia Branca, onde já havia morado, com meus pais, sete anos, para ser coadjutor (auxiliar) do Pe. Ismar Fernandes, falecido, onde trabalhei por um ano e três meses, de lá sendo transferido, mais graduado, como vigário da Paróquia de Luís Gomes, em 1960.
Cheguei a Luís Gomes no dia 21 de fevereiro de 1960, pela manhã, sendo recebido pelo vigário Pe. Valdécio Lopes de Souza que estava aqui há oito meses apenas e passando a paróquia para mim, por delegação do Sr. Bispo Diocesano, que iria viajar para Campo Mourão, no Paraná, para trabalhar com Dom Elizeu Simões Mendes que havia sido transferido de Mossoró para esta nova diocese.
A minha posse como vigário da Paróquia de Luís Gomes, deu-se neste dia 10 de fevereiro de 1960, às 10 horas da manhã, na tradicional missa do pessoal da feira.
Nesta missa de posse, notei uma admiração no povo que me olhava muito: muito moço (28 anos), magrinho, sem muita altura, mas depois do meu sermão, no qual eu convoquei o mesmo povo para, juntos trabalharmos no campo religioso e social, senti o povo mudado, alegre e pronto para este trabalho que de fato aconteceu, começando com a paróquia e depois com a cidade, que até 1960, só tinha o nome de cidade, pois era um quadrado de quatro ruas de casas antigas, com a igreja que só tinha o nome de matriz, pois era pequena, baixa, com colunas grossas, dentro, tomando a vista do altar para muita gente.
O que era Luís Gomes que encontrei em 1960!
• Não possuía luz elétrica, mas a motor (óleo) ligava às 6:00 horas da noite e apagava às 9:00 horas da noite o Sr. Otílio Bezerra era o encarregado do motor;
• Não havia calçamento em rua nenhuma;
• Não havia praças, e à noite, os rapazes e as moças se encontravam no Salão Paroquial, para brincadeiras, adivinhações, contar histórias, e isto só quando eu estivesse presente;
• Não havia rádio, nem televisão, nem telefone, tudo desligado do mundo;
• Escola só a do Cel. Fernandes, curso primário, só de manhã e de tarde, à noite nada;
• Colégio não havia, o que foi criado por mim 1967, começando com o Pré-ginásio, depois o Ginásio Comercial de Luís Gomes, que eu consegui da Fundação Pe. Ibiapina, de João Pessoa – PB;
• Água: não havia açude, e o povo tirava água das cacimbas, em latas, e muita gente começando pela madrugada, com lamparina acesa;
• Fora o quadrado de casas com a igreja pequena no meio, havia muitas casas de taipa e de palha por trás do quadrado, sendo que a aglomeração destas era mais na região do estádio paroquial, local chamado de barreira do inferno: muita algazarra, muita cachaça e muita briga;
• Campo de futebol na cidade: um pequeno campo, em terreno comprado a Cizo Eduvigens;
• De obra de vulto, só a Agência dos Correios e Telégrafos, muito precária, sendo agente a Sra. Éster Fernandes;
• Ao redor do quadrado de ruas, quatro casas de farinha (bulandeiras) e muitos roçados de milho, feijão, mandioca e algodão;
Dois trabalhos para transformar Luís Gomes: trabalho religioso e trabalho social;
• Trabalho religioso: como vigário, comecei a aprofundar o sentido religioso: missas, pregações, confissões, catecismo paroquial, criar mais associações religiosas, e nas pregações e reuniões, falar muito, condenar, combater a desunião, as intrigas, as brigas, as mortes, por causa da política grosseira, baixa, perseguidora; mas devagar esta situação foi melhorando e havendo mais compreensão e paz abrindo caminho para o progresso e a civilização!
• Obras deste campo religioso:
 Matriz nova de Senhora Santana, cuja demolição da igreja velha e a construção da matriz nova (atual), levou 11 anos – começo em 1960 e terminou em 1971;
 Salão Paroquial novo, ao lado da Casa Paroquial (salão atual), ficando em cima da Casa Paroquial como dormitório;
 Estádio Paroquial “Nia Torquato”, com ajuda grande de Pedro de Ângela, dos jogadores de futebol e do povo, através de festas, bingos e rifas que eu promovia;
 Remodelação da Casa Paroquial, na cozinha, um banheiro dentro de casa, pintura geral no prédio todo e nas portas e janelas;
 Maternidade Paroquial: começava no antigo prédio do Posto de Higiene, continuada, melhorada e equipada na casa do Cel. Antonio Germano comprada por CR$ 30.000,00 (Trinta Mil Cruzeiros), maternidade que foi propriedade da paróquia por muitos anos, mas com o meu afastamento da paróquia e a chegada de Pe. Pedro Lapo, este passou a maternidade para a associação do Dr. Tadeu Nunes;
 Banda de Música Paroquial Dr. Vicente Fernandes Lopes, comprada e paga por ele ao colégio Diocesano de Mossoró, e teve como 1º maestro o cabo da polícia João Batista Ferreira (o mesmo de hoje), inaugurada em 1962, com uma grande festa;
 Conjunto musical “Os Potiguares”, criado também por mim, sendo da paróquia, e teve grande aceitação aqui e fora de Luís Gomes, mas o Pe. Pedro Lapo, como vigário, destruiu-o;
 Cine Paroquial Xavier Fernandes teve vários anos de vida, funcionando no salão superior (de cima) da Casa Paroquial e era o único divertimento da cidade;
 Casa das irmãs Carmelitas, vindas de Cajazeiras, com quatro freiras, casa religiosa que durou vários anos, com um grande trabalho na Paróquia destas freiras, mas com o meu afastamento da Paróquia, a casa entrou em decadência, terminou se fechando e as freiras voltando para o Carmelo de Cajazeiras, após muitos anos de trabalhos aqui;
 No interior da Paróquia: Major Sales: conclusão de mais da metade da igreja de Major Sales, iniciada por dona Francisquinha de Beija. Também em Major Sales, construção da casa paroquial, para melhorar a hospedagem para o vigário e para reuniões religiosas e sociais;
 Sítio Oliveira, hoje São Bernardo: capela de Senhora das Graças, iniciada pelo Sr. Manuel Bernardo de Araújo e, com minha chegada, impulso e conclusão da referida capela que hoje é muito bonita;
 Pitombeira dos Fidélis: capela de Santo Antonio, iniciada por dona Negra de Osório Fidélis e, chegando, movimentei a comunidade, a região e a capelinha foi logo concluída e hoje servindo a Pitombeira e a região;
 Capela de Senhora dos Milagres, já no tempo de vigário, tendo à frente o encarregado Otávio Pinheiro que, com sua atuação e esforço também de sua esposa, professora Geldipa, e a minha cobertura de apoio e incentivo de vigário, ficou concluída e hoje, serve ao Monte Alegre, Arara e região;
 Arara – povoado bem próximo ao Monte Alegre (Barro Vermelho), teve também sua capelinha particular, graças ao Sr. Francisco Corro, muito religioso e devoto do Pe. Cícero, mas que teve o meu apoio de vigário, e hoje está sendo construída uma capela nova e maior com apoio e trabalho de vigário, Pe. Tarcísio e do Sr. Nivaldo e do povo de Arara;
 Paraná – capela hoje igreja, iniciada por dona Maroquinha, mas com minha chegada, apoio, festas e incentivos, foi concluída, sendo hoje uma bonita igreja.
 Caiçara dos Fragos: era um sítio bem populoso, sem capela. Chegando como vigário, tendo grande ajuda do encarregado, Sr. Adauto e Dona Mariinha Gonçalves que doou o terreno para começar a capela de São João Batista, que cedo ficou pronta, e ao redor da capela foram construindo casas e hoje é um lugar grande, faltando só o título oficial de cidade;
 Arapuá, hoje vila Major Felipe: encontrei a capela de Santo Expedito apenas iniciada no tempo do Pe. Caramuru Barros e, chegando, ao lado do Sr. Antonio Vindô e sua esposa dona Noeme e o povo, juntos trabalhamos e com poucos anos a igreja estava pronta e bonita;
 Cidade de José da Penha: já encontrei a igreja de São Francisco das Chagas construída, mas precisando passar por uma grande reforma, o que aconteceu por ação nossa: Dona Anália Rodrigues, encarregada permanente e depois Osório Estevão, também encarregado e José Evaristo de Fontes (Zeca) igualmente encarregado e grande ajuda do povo, a capela de ontem é hoje uma bonita igreja e bem moderna;
 Transporte para a Paróquia: quando cheguei aqui em 1960, a cidade de Luís Gomes não possuía nem carro particular: quando era necessidade de urgência, alugava-se um jipe velho de Zéo mecânico, de Uiraúna, fazendo viagens para as capelas e confissões de enfermos a cavalo. Então, a paróquia possuía um terreno, de Senhora Santana, no Sítio Gessém, deste município, e por ordem do bispo, Dom Gentil, vendi o terreno e comprei um jipe usado para a paróquia, foi uma grande ajuda para o vigário, que era eu.
Observações finais:
1ª) Passei 22 anos como vigário de Luís Gomes.
2ª) Por estes 22 anos, tomei conta também, por três vezes, da Paróquia de Marcelino Vieira, em 18 anos de trabalhos naquela Paróquia.
3ª) Quando deixei a Paróquia de Marcelino Vieira, a pedido de Dom Zacarias, bispo de Cajazeiras, assumi a Paróquia de Uiraúna por dois anos, ficando e permanecendo também como vigário de Luís Gomes ao mesmo tempo.
4ª) Todas as atividades, todos os trabalhos religiosos e sociais de 1960 até 1982, foram realizados como vigário da Paróquia de Senhora Santana, de Luís Gomes.

Luís Gomes, 01 de junho de 2004.

Padre Raimundo Osvaldo Rocha.

Texto original do livro “Luís Gomes: a terra e o povo de Luís Gomes entre prosa e poesia”.