PEDAGOGIA DA CATÁSTROFE

A expressão “pedagogia da catástrofe” tem sido amplamente citada pelo senador Cristovam Buarque, no que se refere aos desastres ocorridos no país, nos perigos da violência, desrespeito ao meio ambiente, mau uso dos recursos naturais e das políticas imediatistas e corporativistas. 
É um conceito bastante interessante que provoca a análise do nosso atual sistema de produção, consumo e tomada de decisões, seja na cotidianidade das comunidades, seja na construção das políticas públicas de transformação e desenvolvimento social.  
O consumismo e o capital estão exaurindo o nosso planeta e a alma das pessoas. Há uma completa inversão de valores contaminando todas as relações sociais, cada vez mais virtualizadas e deturpadas 
Somente a catástrofe para nos ensinar? Quando ela se avizinha, nos toma de assalto, desbloqueia nossas mentes automatizadas, percebemos que algo precisa ser feito, que mudanças são necessárias. Algo que parece ser bastante recorrente... 
Exatamente. Esperamos o pior acontecer para tomar as medidas necessárias para estancar a sangria. Vivemos adiando nossos problemas até chegar o dia em que a conta bate à porta. Tem sido assim pelo Brasil afora.  
Se olharmos para nossa cidade, não tem sido diferente. Parece algo que se tornou cultural. Não há uma visão que antecipe, não há a pressão necessária para minimizar sofrimentos.  
Em Luís Gomes temos alguns exemplos nítidos da pedagogia da catástrofe, alguns recentes e vários outros entranhados em nossa história de décadas. Para não citar muitos basta pensar na crise hídrica, na crise financeira pública e social, na escalada da violência e da criminalidade, na epidemia de Dengue, Zika e Febre Chikungunya, nas sucessão de escândalos no centro do poder municipal, com destaque para os alunos fantasmas e cassação de mandato eletivo.  
Essa reflexão não serve apenas para relembrar fatos, apontar decisões equivocadas, alertar para modelos distorcidos de governabilidade ou de participação social. Além disso, provoca a todos para a necessidade de cumprir com a agenda necessária dos novos tempos. Gastar menos e com mais eficiência, desenvolver sem destruir o meio ambiente, gerir o município com sustentabilidade, respeitar limites fiscais, investir numa educação de qualidade, garantir mais igualdade e cidadania.  
Somos livres e temos a responsabilidade sobre nossa gente e nosso futuro. Só os fortes e destemidos se dispõem a realizar a verdadeira revolução da alma, do povo e da nação.