VISITA AO SÍTIO CAIXÃO

Nessa manhã, cedo fui até o Sítio Caixão e revivi momentos vindouros da Serra de Senhora Santana, no tocante as belezas e oportunidades da vida rural, de cenas cada vez mais singulares nesses últimos anos...
Ao sair da rua Honório Bernardino, sentido Cachoeira do Relo, senti como é bom ausentar-se de ruas, paredes e barulho comum. Tudo ganha um novo tom, cheiro de terra molhada, o verde que se alastra pelas redondezas.
Às vezes, revisitar esses lugares, absorver sua energia, faz um bem danado! Vi trabalhadores no cultivo da terra, a lagoa ao lado com suas primeiras águas, após longo período. Estrada empoçado e os primeiros buracos indicam a força das recentes chuvas.
Aos poucos sentia-me ainda mais revigorado, com o ar puro, com o canto dos pássaros, com uma sensação plena de liberdade, nada a temer, apenas cárcere de mim, das minhas lembranças e dos meus desejos.
Em vasta planície fazia minha caminhada matinal. Os agricultores numa sucessão contínua e incansável de cortes no solo. Ali semeavam suor, otimismo e fé. O inverno representa não só a própria sobrevivência do sertanejo, mas a continuidade de uma cultura, de uma sabedoria...
Na terra dos ancestrais, lugar onde a família Queiroz frutificou e escreveu grande parte de sua história, é possível deliciar-se com pitombas e ciriguelas, escutar o canto do agricultar que diz, segundo os versos do poeta:

“No sertão quando é bem de manhãzinha / Sertanejo se acorda na palhoça / Chama o filho mais velho para a roça / A mulher toma conta da cozinha / Faz o fogo de lenha e encaminha / Um guisado, angu quente ou fava pura / E depois de fazer essa mistura / Sai faceira igualmente uma condessa / Com um quibongo de barro na cabeça / E vai levar aos heróis da agricultura”.