CINEMA DE LUÍS GOMES

O Grupo Mutirão teve o privilégio de reviver o Cinema em Luís Gomes, 63 anos depois da sua chegada (do cinema) a este município e 115 anos após a primeira sessão de cinema do mundo, realizada no dia 28 de dezembro de 1895, pelos irmãos Louis e Auguste Lumière, num café, em Paris. Desde o último 21 de abril, na reinauguração do Centro de Cultura Popular “Escravo Jacó”, espaço que abriga também Museu, Instituto Histórico e Centro de Multimídia, foi inaugurado o Cine Clube Bonfim Alves.
O projeto que criou o Cinema, idealizado há quase 10 anos pelo Grupo Mutirão foi apresentado no ano passado e foi considerado o melhor do estado do Rio Grande do Norte, no edital dos que concorreram pela Fundação José Augusto.
O Cine Clube Bonfim Alves, com assento para 120 pessoas, telão de projeção de 210 polegadas (3x4 m), inaugura uma nova fase no setor cultural e de entretenimento luisgomense (sic), no ano em que nossa entidade celebra seus 20 anos de fundação. A primeira sessão foi realizada no último dia 14 de maio e exibiu o filme “Lula, o filho do Brasil”. As sessões acontecem sempre as sextas e sábados, às 19h30 e não é cobrado para ter acesso ao espaço.
Bonfim Alves, o homenageado, foi umas das figuras que esteve presente nos primórdios do cinema luisgomense. Foi projetista do antigo Cinema Paroquial que animou as noites luisgomenses num tempo em que nosso município quase nada tinha de diversão. Mereceu a homenagem também por ter sido o protagonista do primeiro e único filme rodado neste município, “As Trapalhadas do Lampião” (1992), de autoria do luisgomense José Nairton da Silva, filho do nosso estimado amigo e fotógrafo Francisco Vieira da Silva (Tintim).
As atividades cinematográficas do Grupo Mutirão, que conta também com a parceria da Programadora Brasil, instituição que cederá os filmes brasileiros para exibição, também terá suas atividades estendidas para outras partes do município. O Cine Itinerante, adquirido com recursos do Ponto de Cultura “Cultura Serrana” (do Grupo Mutirão) vai, a partir de agosto, chegar aos sábados, na Zona Rural. Será uma comunidade visitada a cada final de semana.
O Grupo Mutirão, para permitir uma maior participação da comunidade na administração e escolha das obras que serão exibidas, criou o Conselho Comunitário de Cinema que conta com representantes das escolas, igrejas e ONGs. Os trabalhos técnicos estão sendo acompanhados por João Batista Belo e Jessé Carlos Pinheiro, sócios do Grupo Mutirão, que foram treinados pelo Ministério da Cultura.
Nessa área cinematográfica produziremos do final deste para o início do ano de 2011, documentários focando em Lampião (1927), a Coluna Prestes (1926) e na Revolta do Quebra-Quilos (1877), movimentos que penetraram no nosso município. Os documentários estão sendo patrocinados pelo Ministério da Cultura e serão um dos produtos finais da Bolsa Agente Cultura Viva, dentro do Projeto “Cangaço e Revoltas Populares, na memória da nossa gente”, conquistado por nossa entidade no ano de 2009.
Na obra ainda não publicada, “Luis Gomes, nas Veredas do Tempo”, de minha autoria, apresento, e aqui compartilho antecipadamente, por considerar oportuno, texto inconcluso, que aborda o Cinema no nosso município de Luís Gomes. Acompanhe.

O CINE PAROQUIAL
O Cine Paroquial foi ideia do Padre Miguel Nunes. Em 17 de fevereiro de 1947 ele envia carta a Casa da União de Propagandistas Católicos (U.P.C.), com sede em Pouso Alegre, Estado de Minas Gerais, fazendo consulta sobre máquinas para projetar filmes.
A firma Carvalho & Cia, com sede em Recife, informava em 03 de novembro de 1947, ao Padre Miguel, que o custo de um projetor NATCO, modelo 3015, era de CR$ 19.500,00. Não se sabe ainda se logo depois disso o cinema foi instalado. A dúvida vem com um telegrama, de 07 de maio de 1948, enviado pela firma Pan-América Tecidos Ltda, com sede no Rio de Janeiro, ao Padre Miguel Nunes pedindo que ele informasse sobre o recebimento de fitas por ela enviadas, conforme memorando da empresa de 16 de setembro de 1947.
No tempo em que passou a funcionar já se podiam alugar filmes, mas era complicado devido à distância entre Luís Gomes e os centros que possuíam filmotecas. Mais adiante, em julho de 1948, a Firma Carlos Lamas, com sede em Natal, cobrava por carta, filmes que estavam emprestados ao Cinema Paroquial.
A sala de exibição era instalada no Salão Paroquial, no primeiro andar da atual Casa Paroquial. Quando o Padre Raimundo Caramuru passou a ser o vigário, em julho de 1955, não mais encontrou o Cinema em funcionamento.
Os assentos, já no tempo de Padre Osvaldo, eram parecidos com os antigos bancos da Igreja.
No mês de abril de 1967 existia outro com a denominação de Cine Paroquial “Dr. Xavier Fernandes”. Segundo Padre Osvaldo, Dr. Xavier era um deputado pertencente à família Fernandes de Fransquinha Lopes e teria sido ele o doador dos equipamentos. Nesse tempo os filmes já podiam ser locados na cidade de Souza. Os preferidos eram os de faroeste. As sessões eram exibidas sempre à noite. Uma sirene, semelhante à do Colégio Municipal, tocava quando abria para vender os ingressos e outra vez quando ia começar o filme. Aguinaldo Fernandes, ex-prefeito, foi um dos operadores da máquina projetora.
Num relatório de 03 de abril de 1972, Pe. Osvaldo informava que o Cine Paroquial se encontrava funcionando apenas aos domingos. Os filmes nesse tempo já podiam ser locados também em Pau dos Ferros. No mês de maio de 1979 se encontrava fechado por falta ou problema de maquinário. Mais tarde, em fevereiro de 1986, ainda existia, mas desativado por motivo da construção do novo prédio do Salão Paroquial. Não existiu depois disso.

O CINEMA DE GILBERTO
O prefeito municipal Dr. Francisco de Assis Vieira, após aprovação da Câmara Municipal, sancionou um projeto de lei, em 27 de junho de 1961, que isentava de impostos e taxas municipais, por cinco anos, o cinema de propriedade de Gilberto Figueiredo e Silva. O cinema funcionava nesta cidade no Salão Paroquial. A isenção era extensiva à luz pública municipal que era usada para fazer funcionar os equipamentos duas vezes por semana. A concessão partia do princípio que o cinema tinha finalidade primordial de instruir e educar o povo.
Segundo informações de Maria da Salete, esposa do empreendedor, a máquina foi comprada na cidade de Cajazeiras, estado da Paraíba. Os filmes de maior sucesso, assim como no Cine Paroquial, sempre foram os de faroeste. Anos depois, quando deixou de ser novidade, o público foi diminuindo e o cinema fechou as portas.
Algumas vezes a máquina foi levada para rodar filmes nas cidades de José da Penha e Paraná.

Texto de Luciano Pinheiro de Almeida
Professor, político e historiador