HISTÓRIAS DA BANDA DR. VICENTE LOPES

A história da Banda de Música Paroquial Dr. Vicente Fernandes Lopes tem sua origem a mais de cinco décadas, em 1962, quando Padre Raimundo Osvaldo Rocha, pároco local, se decidiu, convictamente, da necessidade de um grupo para abrilhantar e festejar as solenidades religiosas da Paróquia de Santana.
Um ano antes, a primeira professora dos alunos de música foi Dona Luzia Pascoal. Muito dedicados não perdiam um ensaio sequer. Eis que logo sabiam tocar com desenvoltura, dobrados, valsas e cânticos.
A banda de música foi criada por iniciativa do Pe. Osvaldo, que conseguiu os instrumentos com o médico e luís-gomense, Dr. Vicente Fernandes Lopes, à época, radicado em terras cariocas.
Agora era uma questão de tempo. Logo encontraram um homem capaz de comandar os trabalhos, de forma mais direta, o maestro João Batista Ferreira, naquele tempo, cabo da polícia militar. Depois foi feito o recrutamento de jovens para constituir um grupo musical. Depois de seis meses de ensaio o conjunto foi inaugurado, de forma oficial, no dia 06 de maio de 1962, com apresentações em frente à Igreja Matriz, em seguida pelas ruas de Luís Gomes tocando o dobrado “Dois corações” e o Hino de Senhora Santana, padroeira da terra.
Dali em diante a orquestra ganhou notoriedade e tinha o apoio financeiro da paróquia. Requisitada em todos os eventos importantes que se tem notícia. Sua presença era garantia de momentos de saudosas reminiscências. Com a conquista de certa proeminência surgiam convites para apresentações em festas religiosas em Alexandria, Umarizal, Itaú, Apodi, São Miguel, Pau dos Ferros...
A visibilidade levou o grupo a se afigurar em eventos em grandes cidades como Natal, Juazeiro do Norte, Mossoró, Sousa, Cajazeiras, tamanho era o prestígio que conquistaram. Nesse momento, o repertório não se restringia ao tema religioso. Tocavam em festas juninas, carnavalescas, políticas e acontecimentos sociais. 
Impossível não lembrar, como algo preso à memória, da presença notável dos músicos e toda a desenvoltura na formação e na execução das composições. Muitas foram às vezes que a comunidade despertava com o som cândido e contundente dos artistas serranos. As alvoradas na emancipação política e durante a festa de Santana, dia das mães, os desfiles cívicos, os leilões de grande avultamento, a retreta nas praças.

A orquestra filarmônica então tinha um repertório variado com acordes tradicionais e até bolero. Era a apoteose festiva da cidade e da região.
A banda ainda lançou dois CDs. O site Serra de Luís Gomes noticiou o fortúnio da seguinte maneira: “Três anos depois do lançamento do 1° CD, a banda de música Dr. Vicente Lopes, patrimônio imaterial do povo luís-gomense, lança na noite desta segunda-feira (16.07.2012), no Cine Clube Tintim, a segunda edição de dobrados em áudio de sua história”.
Desde sua inauguração até 2001 a banda era composta exclusivamente por homens. A partir desse ano, as mulheres ingressaram no egrégio para maior encanto e beleza.
Atualmente, a Banda Dr. Vicente Lopes não tem recebido o mesmo prestígio de tempos vindouros, mantendo-se quase que exclusivamente com a ação filantrópica dos próprios membros e de alguns admiradores e mecenas. Da formação original restou apenas José Crisóstomo. A primeira formação da Banda teve, segundo informações de Padre Osvaldo, vinte e seis componentes. São eles:
NOME
INSTRUMENTO
01
Sebastião Benedito Ferreira
Contrabaixo
02
Miguel Vieira de Souza
Contrabaixo
03
José Paulino Sobrinho
Trombone
04
Raimundo Nonato da Costa
Trombone
05
Luís Carlos de Oliveira
Piston
06
Francisco de Assis Costa
Piston
07
Geraldo Gadelha
Piston
08
José Eugênio
Bombardino
09
João Zuza
Trompa
10
Pedro Zuza
Trompa
11
Antônio Limão Sobrinho
Trompa
12
José de Anchieta Pinheiro
Trompa
13
Plínio Camilo
Trompa
14
José Crisóstomo Germano
Clarineta
15
José Zito Gadelha
Clarineta
16
José Anísio do Nascimento
Clarineta
17
Francisco Fulgêncio Matias
Clarineta
18
Pedro Eugênio
Requita
19
Raimundo Izidro
Sax alto
20
Miguel Solano Lopes
Sax
21
João Eugênio
Sax tenor
22
José Vieira Sobrinho
Bombo
23
Leonardo Ferreira dos Santos
Surdo
24
Antonio Vieira Moreno
Tarol
25
Pedro Alves Bezerra
Pratos
26
João Batista Ferreira
Maestro
Uma galera unida e com boas crônicas. No ano de 1973, a Banda de Música foi convidada a participar de um grande Festival em Natal/RN, na época, chamado Encontro de Bandas, chegando a ganhar, inclusive, o primeiro lugar no concurso. Faziam parte do grupo os chamados veteranos, muitos deles conhecidos pelos apelidos: Pedro Bernardino, Assizão, Miguel Cupira, Raimundo, Antonio de Anízio, Zé Peruca, Bolinha, Zé Crisóstomo, entre outros.
Mas um fato curioso notabilizou-se! O integrante Pedro Bernardino antes da apresentação, inesperadamente, perdeu os instrumentos, ou melhor, esqueceu em Luís Gomes. Sem os pratos para participar, mesmo assim não queria ficar de fora de jeito nenhum, naquele evento vultoso e tão aguardado por todos.
Então, o maestro Batista teve que encontrar uma solução. Matutou e raciocinou dizendo: “Pedro, você vai ficar ao fundo só fazendo no gestual, assim como quem estivesse tocando”. Concordou. E lá foi Pedro, só no gestual, no vaivém das mãos. Ao encerrar a apresentação, o julgador achou curioso o fato e comentou: “Até hoje eu nunca vi uma banda com dois maestros!”. Nem precisa dizer da ‘mangofa’ que fizeram com Pedro depois da performance.

Doutra feita, em período carnavalesco, Antonio Linhares era quem comandava a banda e Pedro se queixava: “Antonio, você não me leva uma vez para tocar com vocês em Juazeiro do Norte!”. “Pedro, tu num tá vendo que bater prato (instrumento) no carnaval não tem condições!” “Mas homem, me leve, me leve!”. Antonio foi vencido pela insistência.
À primeira noite tocaram muito bem, uma beleza. Na segunda noite, uma maravilha. Agora na terceira, depois da maratona, já alta madrugada, os músicos começaram a sentir a falta do som dos pratos. “Cadê Pedro?”. “O que aconteceu com Pedro?”. Quando se voltaram, viram Pedro com os pratos parados, um colado no outro. Aí perguntaram: “O que é isso, Pedro!?”. Pedro com cara de dor, respondeu: “Mas homem, abra minhas mãos aqui. É câimbra que eu não aguento!”.
Lá foi os colegas acudirem Pedro, puxar os dedos um por um. Depois Antonio Linhares disse: “Olha aí seu animal, eu não disse que você não aguentava! Vá sentar aí num canto!”.
Para fechar, houve outro causo bem curioso, também em Juazeiro. Antonio Linhares pediu que Miguel ajudasse Pedro (os dois mais velhos) a fazer o almoço, orientando: “Pegue esse dinheiro, vá ali ao mercado comprar uns peixes e prepare pra turma”. Aí ele foi e trouxe ‘cumatã’. Um espécime vistoso e com ótima aparência.
Pedro pegou os curimatãs, passou uma água ligeira e colocou no fogo. Quando o pessoal foi comer, estava mais salgado que água de mar. Não teve esse que conseguiu comer. Era pior do que comer pedra de sal! Antonio Linhares espoletou-se: “Ohhh! Seu animal! Não tá vendo que esses peixes tão salgados?”. Aí Pedro glosou: “Mas eu gosto é assim!”.

*Luís Gomes RN – O melhor portal de notícias e informações da Serra do Senhor Bom Jesus.