CAUSOS POLÍTICOS

Luís Gomes/RN – Tocar nesse assunto é, muitas vezes, andar em terreno escorregadio, é remexer em poeira assentada. As linhas de “Causos Políticos” resgatam passagens intrigantes e anedóticas da vida pública da política luís-gomense.
Os causos são narrativas populares que traz à tona os costumes do povo, através de uma boa prosa com feição irônica, ambígua, com a marca da entonação, do ritmo, do sotaque, levando a descontração e à reflexão.
Então, vamos lá! Em comício Valmar de Elza discursava em frente à casa de Senhorzinho, parte sul do Mercado. Estava presente Patrício Júnior, candidato a Deputado Estadual e outros correligionários. Como sabemos, campanha eleitoral quase sempre acirra os ânimos e pode levar a situações inusitadas. Cada palavra pronunciada era uma vaia, orquestrada por pessoas ligadas à oposição, que se encontravam na esquina do Mercado Público. Enquanto isso, no intuito de controlar aquela chacota, vinha Manoel Firmino de sua casa em direção ao evento, pedindo compostura aos que zoavam. Não deu outra. Também foi vaiado. Desapontado, sacou o revólver e disparou para o alto. Em seguida, Antonio Trajano também efetuou disparo. O povo alvoroçou-se. O palanque foi desfeito em disparada. Senhorzinho se tremia todo, sendo levado da tribuna nos braços. Jáder respondeu com outro estampido. Dr. Pereira deitou-se por trás de um carro. Cizo Eduvirgens correu, caiu num buraco e ficou bolando. Maicô saiu em disparada que o vestido dava nó, com Joanita gritando: “Corre, se não tu morre!”.
De acordo com relatos foram mais de 20 disparos. Um policial que acompanhava o movimento também saiu em galope e, ao chegar em casa, quase não acha o buraco da fechadura de tanto medo. E, se não fosse o bastante, para completar, Pedro de Ângela ficou preso pelo cinto em um gancho do carro que servia de palanque. O aperreio foi grande. Todos saíram na correria, menos Pedro, que pendurado dizia: “Socorro, socorro! Vão me matar”. 
Outro caso curioso, dito não ficcional, aconteceu com o ex-prefeito de José da Penha, Osório Estevam. Na época, aquela comunidade ainda era distrito do município de Luís Gomes. Dizia ele que assim como Luís Gomes tinha três prefeitos com uma letra só, isto é, Jáder Torquato, Gentil Firmino e Joaquim Martins, da mesma forma era ele e seus irmãos. Alguém questionou: “É mesmo cumpadre?”. “É sim. Veja! Eu, Osório, meu irmão Ocrido (na verdade, Euclides) e o terceiro, Ozébio” (Eusébio).
Essa é uma prova que o embate entre o coloquial e a norma culta pode ser célere e caricato! De qualquer forma, transformou-se numa anedota presente no discurso de alguns prosadores.
Esses são apenas alguns fragmentos de muitos causos políticos que se tem conhecimento, e que são cabíveis de se levar ao conhecimento público. Se você conhece alguma história semelhante ou do gênero, deixe sua contribuição, através de um comentário ou enviando para o nosso e-mail (arfn10@gmail.com).