SEU QUINCO BARBOSA

Joaquim de Sousa Cavalcante, ou simplesmente Seu Quinco Barbosa, nasceu no Sítio Oliveira, município de Luís Gomes, era um homem da terra, simples, cheio de vida e cheio de anedotas. Uma enciclopédia da história e do cotidiano luís-gomense. Não por acaso viveu mais de cem anos, mesmo com a cachacinha e o inseparável cigarro de palha. Chegou, inclusive, a assumir a cadeira máxima do executivo por algumas semanas.
Talvez sua alegria e disposição o fizessem desfrutar tantas primaveras. Como “consultor de viagens”, quando uma pessoa ia viajar para São Paulo ou Brasília, Seu Quinco rezava com palitos de fósforo, para assegurar uma viagem tranquila e venturosa.
Conta-se que ele enviou um telegrama ao Interventor Rafael Fernandes, em Natal, nos seguintes termos: “Interventor Rafael Fernandes, Palácio Potengi – Natal/RN. Cangaceiro, bandido morto, atacou Fazenda Caiçara. Entre mortos e feridos, escaparam todos. Se não houvesse tanto queta-queta, não tinha havido nada. Abraços, Quinco Barbosa, Delegado de Polícia”. O próprio Quinco afirmara que nunca foi delegado e jamais enviara tal telegrama.
Certa vez, nas brincadeiras matutinas, ele dizia inocentemente: “Olha, quando for de manhã, for sair de casa e encontrar um diabo de um nego, pode voltar que o dia tá acabado!”. Era comum Seu Quinco responder o “Bom dia!” com “Boa noite!”. Questionado ele justificava: “Não sei se o dia vai ser bom, mas a noite anterior foi”.
Sobre ele, maldosamente, apelidaram de ‘Frei Mulambo’, porque transitava pelas ruas com roupas rasgadas e cheias de carrapicho da roça. Um homem que não largava a lida do campo. Nada que rabisque uma vida bem vivida, a beleza de um homem que deixou a vida o levar, assim como diz, sabiamente, a música de Eri do Cais e Serginho Meriti.
Foto: Caio César Muniz, em “Luís Gomes – um resgate histórico”.

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