LUÍS GOMES EM CONVERSA AFIADA

Tudo leva a crer que o município está sufocando com recursos cada vez mais escassos, com sucessivas reduções do FPM e FPE, e agendas administrativas cada vez mais volumosas. Além disso, uma parte do “bolo” das receitas são remetidas, em juízo, para pagamentos de dívidas de gestões benévolas e imprudentes.
De pires na mão, a gestora partiu para mais uma estocada em busca de recursos, junto a bancada federal, no desejo de ser concedido o AFM, isto é, Apoio Financeiro aos Municípios. É necessária transparência nesse momento, vir ao povo esclarecer a real situação financeira, em meio às críticas de carências em alguns setores que atendem diretamente o público.
Não adianta esconder a verdade, pois como o sol que invade os recônditos mais escondidos e longínquos, uma hora deverá se revelar. Os sinais mostram a total fragilidade: atrasos com os servidores da educação, carências no setor da saúde, dificuldades para manter os serviços essenciais, espaços públicos esquecidos (Mirante da Serra, por exemplo), folha de pagamento com pessoal acima do limite legal (LRF).
Chega o momento de deixar a vaidade e as aparências de lado, expressar as dificuldades é igualmente convocar a todos para ajudar nesse momento difícil. É preciso deixar às claras algumas situações, mesmo que não faça bem para o marketing político.
Vícios do passado que continuam a atormentar o presente. Política de centralidade, de corporativismo, de patriarcalismo/clientelismo, de favores, de projeções futuras de base e sustentação política. É preciso romper as correntes do nepotismo, implodir a subserviência leniente dos legisladores para com as petições executivas, reorganizar as admissões públicas por meio de concurso público, rever a crise que aflige a tantos e propor medidas para resguardar e proteger a população.
Luís Gomes, a propósito, tem quase 40% dos servidores em cargos não efetivos, entre comissionados e contratados. Uma folha salarial que consome em torno de 60% dos recursos da administração. É chegada a hora de promover a realização de um concurso público, uma restauração da ordem contratual determinada pela Constituição Federal.
A augusta Casa Legislativa precisa se mostrar independente e convicta sobre o seu papel dentro do equilíbrio de poder. Não é conveniente votar matérias, simplesmente porque foram motivadas ou requeridas pela gestão municipal, é necessário um posicionamento autônomo e crítico, sempre com o olhar para o contexto social. As últimas votações sobre os impostos, por exemplo, mostram quem legisla em favor de quem.
A centralização na marcação de exames é outro fator que merece ser melhor explicado. Ora, os órgãos da administração direta não possuem independência para deferir consultas e exames? É preciso um carimbo único, uma outorga da chefia executiva para autorizar as marcações? É preciso descentralizar para desburocratizar e desconcentrar decisões e agilizar as demandas sociais.
Há esclarecimentos que o povo precisa saber sobre a situação do turismo da cidade, as condições deploráveis do Mirante da Serra, a licitação da água mineral mal direcionada, a dificuldade na distribuição de medicamentos, os exames escassos, as dívidas ativas do município, as vantagens salariais dos professores não pagas e/ou desatualizadas, a conclusão de obras e a efetiva utilização da infraestrutura. Todos precisam saber, se informar.
É claro que esse cenário de crise e de inquietação merece ser colocado em discussão. Entretanto, é bem verdade que a atual gestão demonstra um grau de comprometimento que alguns governos antecessores ficaram devendo, e muito. Mesmo assim, é perceptível e urgente algumas mudanças para qualificar as relações entre poder instituído e a sociedade luís-gomense.
Mas se o município se encontra nesse estado de deterioração e estagnação, com lampejos tímidos de crescimento, com dificuldades imensas em dissipar as desigualdades sociais, com processos agudos de endividamento, sem reservas financeiras e fontes alternativas viáveis de aquisição de renda, sem perspectivas explícitas de empoderamento social, em grande parte a culpa recai sobre a própria sociedade, que ao longo dos anos, em sua maior parte, mostrou-se incapaz de questionar e cobrar pela qualidade da gestão municipal, mais democrática, eficiente e que priorizasse os interesse de todos, especialmente da maioria mais carente.
Os fatos apontam para esse estado crítico, de um conjunto de fatores que, simultaneamente, preocupam demais a todos aqueles que pensam e desejam um futuro melhor, hoje e amanhã. Quem acha que está bom, é porque não se condói e não se apercebe das privações e angústias dos outros, até na falta de coisas básicas, como água, alimentos e medicamentos.
Enquanto um conterrâneo tiver seus direitos negados, tiver sua dignidade ameaçada, tiver sua voz silenciada ou sua consciência ludibriada, se faz necessário a luta, a mudança, a crítica, a união de forças para o restabelecimento da cidadania e dos direitos humanos.
Assim como dissemos recentemente, Luís Gomes pode ser mais, mesmo diante das dificuldades. Se assim não fosse, não teríamos tanto a explorar, melhorar, conquistar, propor, diversificar, intensificar, etc. Podemos ser mais na política, na agricultura, no turismo, na educação, na saúde, no esporte, na assistência social...
Entretanto, não se chega a resultados de alta qualidade sem uma sinergia e uma atitude que superem os medos e os costumes arcaicos, que modifiquem a pequenez de atos e egoísmos, que transcendam picuinhas, vaidades e inépcias. Quanto mais se exige mudanças, menos precárias são as condições de vida das pessoas. Quanto mais se questiona, mais a coletividade exerce seu poder, sua autonomia e sua liderança.

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