SEIS ANOS SEM ÁGUA NAS TORNEIRAS

Com precisão, neste dia 30 de outubro de 2017, Luís Gomes completa seis anos sem água nas torneiras, uma data que mistura sentimentos de incredulidade, revolta, angústia, indignação, heterodoxia, ininteligibilidade. Em pleno século 21, com todos os aparatos tecnológicos e científicos, seguimos aquém da história, desconexos ao tempo, a margem do progresso, à espera de um milagre. 
Nesse quesito, o município segue batendo recordes negativos em relação a algo essencial a vida, a economia, a cultura, ao desenvolvimento. Muitos inquirem para si os feitos auspiciosos aos olhos do povo, como a grande transposição do Velho Chico, mas ninguém confessa as omissões e rendições para a prorrogação e expansão dos inúmeros problemas causados pela seca.  
Somos um tipo alheio aos grandes interesses e as resoluções rápidas. Parece que prorrogar o sofrimento é tão necessário à manutenção do argumento e da estratégia de conotação política, em proporções nunca dantes vistas. A mercê ficamos tolhidos de independência até nas coisas mais básicas a sobrevivência. Sem o mínimo, não podemos exercer o pensamento crítico que produz a mudança estruturante e sensata. Nesse universo surreal, a sensatez beira à loucura, com um sem-fim de demonstrações de desleixo, como se fôssemos insignificantes, um peso aos interesses da nação.
Luís Gomes foi o primeiro município do estado do Rio Grande do Norte a entrar em colapso por falta de água. Desde então, a compaixão e a misericórdia são palavras repetidas e conclamadas. Como solução rápida não ‘retribui’ a ganancia megalomaníaca dos políticos, a transposição do Rio São Francisco segue a passos de tartaruga. Atualmente, não temos nenhum reservatório apto a abastecer o município, nem o açude Lulu Pinto, nem poços artesianos suficientes, nem mesmo através da operação carro-pipa. Mesmo nesse último caso emergencial, a água apenas supre, exclusivamente, a sede das pessoas.
Indubitavelmente, o prolongamento desse grande colapso representa uma série de coisas, que desaguam na falta de respeito para com o povo luís-gomense e grande parte do povo nordestino. Diante disso, a sociedade continua sua rotina de o “pão de cada dia”, agora o “balde de água de cada dia”, dai-nos Senhor. É assim, quando a aflição bate é ao Deus Supremo que recorremos. Enquanto isso, o mais pobre é quem paga a conta mais perversa e humilhante, incapaz de abreviar essa triste realidade. 
Nesse período a voz que brada do sertão é rouca.  A marcha dos acontecimentos segue um fluxo quase alheio ao clamor dos necessitados. Por muito menos, outras revoluções de grandes proporções ocorreram pelo mundo. Entretanto, seguimos a toada vacilante, caótica e demente. Não somos centro, não somos eixo, não somos notáveis. Somos fardo, somos bulhufas...
Luís Gomes, assim como centenas de municípios, enfrenta a pior crise hídrica de todos os tempos, um verdadeiro calvário, um futuro de incertezas. O tempo passa e esse caos parece não ter fim, um tapa no rosto dos filhos da pátria gentil. Contudo, se agentes do Estado de Direito, que ‘representam’ a sociedade, mudasse o foco do “comércio da Seca” para o “Convívio com a Seca” a realidade, talvez, fosse bem diferente.
Portanto, as pessoas sonham com o dia em que não mais terão que carregar baldes e carrinhos para ter acesso a água, acreditam que logo em breve serão saciadas pelas mãos benignas e misericordiosas, esperam que, num futuro não muito distante, a sede e a escassez d’água sejam apenas uma lembrança triste. O tempo no deserto está próximo do fim e o povo deverá se encontrar com um mundo novo, ao atravessar esse mar vermelho’, esse tempo de intensa crise.

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