LUÍS GOMES: PELO FIM DO CLIENTELISMO

A sociedade luís-gomense, historicamente, quase sempre manteve uma postura apática frente às questões políticas, administrativas, decisórias. As vitórias mais democráticas foram conquistadas tardiamente, com o protagonismo do judiciário, incentivado pela modernidade que o tempo impelia. Certamente, alguns arroubos e anarquismos momentâneos ocorreram, com o calor de situações mais tensas. Nada sistemático e transformador...
O povo de Luís Gomes, por muito tempo, pouco se apercebeu de sua força e de seu poder no processo democrático e institucional. Tanto é que não possui um histórico de lutas e conquistas diretas e importantes para a transformação social, no rumo que as vozes das ruas deviriam apontar. Por que demoramos tanto para promulgar as eleições escolares? Por que, até pouco tempo, a população não sabia o que era orçamento participativo? Por que os termos plebiscito e referendo não povoam a memória das pessoas dessas plagas? Qual o legado de independência, criticidade, participação ativa, espírito cidadão, foi deixado para essa e as próximas gerações?
Na verdade, o que imperava era um completo desequilíbrio entre instâncias de poder e a população, distante da máxima que “o poder emana do povo”. Diante disso, a prática de paternalismo, clientelismo e ruptura democrática ditavam a rotina política e gerencial do município.
Hoje, a mentalidade é outra e as regras também. A comunidade está com a mente mais aberta para um novo estado de coisas, mais transparentes, democráticas e equilibradas. A lei da ficha limpa, a obrigatoriedade de transparência e publicidade, a lei de acesso a informação, o controle social, o orçamento participativo, a prestação de contas, a lei de responsabilidade fiscal e prudência na gestão da coisa pública. Tudo isso contribui para uma sociedade mais consciente, mais participativa e fiscalizadora, mas que ainda precisa abraçar todo a sua supremacia no jogo popular, progressista e democrático.
Muitos ainda têm medo e receio de exercer a plena cidadania, de realizar cobranças, de emitir denúncias, de cobrar pela correção de atos e omissões, muito em parte pela cultura arraigada do servilismo, clientelismo, indulgência, submissão, troca de favores. É o temor de perder algumas vantagens, o medicamento, a cirurgia, o frete, a ordem de serviço, o apoio, a aparição em público em condição favorável ou de destaque.
Entretanto, as pessoas precisam abandonar essa perspectiva inglória. Nada disso são favores, ou gentilezas, ou benevolências... Tudo isso é obrigação, é dever, é direito da sociedade. Até quando seremos reféns do toma lá, dá cá? Até quando diversas pessoas continuaram a se subjugar a “benesses e indultos”? É preciso minar todos os aparatos e mecanismos que infringem a conduta mais adequada de relação entre governantes e governados, inclusive cargos comissionados, contratados, vínculos de interesse e nepotismos.
Assim, é possível administrar e ser cidadão com maior eficiência, executar um planejamento mais assertivo, evitar vícios e exageros e promover respostas para o crescimento, sustentabilidade, competência, legalidade, transparência e o tão sonhado sucesso.

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